quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Procurar B no sentir e vestir a pele do outro

Incorporar a energia da outra que faz despoletar coisas em mim

Teresa S.
Um som que nasce no peito e quer sair. Dou voz ao movimento e o movimento à voz. É a forma que encontro de dar ao espaço com o qual estou em relação, e que vai para além destas paredes. Elas juntam-se e a voz chega mais longe, acrescentam novas cores e imagens. Terminamos no silêncio de um olhar.

Teresa P.
O feminino, mostrar a pele a brincar. É absurdo, e faz-me sorrir a imagem desta mulher criança. Começo também a despir, e neste despir tapam-se os olhos. Vagueio despreocupada sem ver nada para além dos pés, sentindo a música no corpo. Brinco com a roupa enquanto elas constroem algo que termina no aparecimento de uma escultura elegante e em equilíbrio.

Isabel F.
Alguém que está e que observa o tempo a passar, como se todos os segundos tivessem a mesma importância. Troca de posição constantemente não porque está cansada mas porque quer experimentar o seu corpo noutra posição, outra perspectiva. Junto-me a ela e a imagem duplica-se. Juntam-se os panos que vão moldando, escondendo, cativando o olhar de quem observa a cenas e as diferentes imagens que a cena sugere.

Procurar B no detalhe (a preto, branco e pele)







Sinto e visto a 'pele' do outro - solos - propostas

Teresa Santos:

Pés presos ao chão. Mãos e braços presos. O coração fala. Somos seres femininos.


Teresa Prima:

Camadas de pele antes da epiderme que são retiradas ocasionalmene. Aos poucos a pele branca e rosada aparece. Entranha-se nas peles... sente-se os cheiros... sente-se as temperaturas e quando dás por ti, mudaste.


Isabel Francisca:

No meu espaço sou observadora.

O meu percurso é visto movimento a movimento.

O tempo passa, companhia surge e novas camadas aparecem

Sinto e visto a 'pele' do outro.

Encontro da profundidade. Coreografia surge. No movimento do outro encontra-se o impulso. Massa de corpos encaixados. União. Cumplicidade. Escuta.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Mapa B

domingo, 26 de dezembro de 2010

Viajar no meu mundo na tua presença

viajante: teresa s
testemunhas: teresa p ,i francisca

... as tuas mãos entrelaçadas ... as tuas mãos entrelaçadas ... tocam-me enquanto te olho.
viajam por detrás da tua cabeça e repousam depois sobre ela, uns braços cachecois.

Eu faço parte do triângulo mas, esta história é sobre ti.
Testemunho a tua serenidade, olhas para os outros que cá (ainda) não estão, repousas neles (no público) volta e meia e integra-los.

A tua mão viaja até ao meu pé sem o tocar. Eu estou de pé e tu olhas-me nos olhos, um olhar TRANSPARENTE.
Sorrimos, pois não há outra coisa a fazer quando nos olham assim.

Uma mão aberta e um punho, transportam-te para o espaço.
......esmagar......... romper.....

Diz-me teresa, como é que descrevo o intraduzível do que estou a ver?
Como é se repete esta viagem?


viajante: teresa p
testemunhas: teresa s , i francisca

Um mundo do avesso. Pernas para trás, o meu corpo precisa, está frio aqui, quero ficar aqui, já começou, quero desenrolar devagarinho.
Deito-me depois a respirar. Toco a parede do envelope com a minha mão, tento perceber o seu limite.
As mãos ofereço-as a elas, a mim, acima, atiro-as para trás das costas.
Vou para longe, abro os braços, rodo, rodo e paro de braços abertos para perceber onde estou e como é cada lugar. Fico de braçoa abertos como se fosse uma estátua, uma ode ao desejo de expansão, fico nesse equilibrio em meia ponta mas estou forte. Forte no equilibrio e forte no desejo.
De seguida, deito-me e descanso, percebo que o meu corpo está cansado e respeito isso.
Volto para a frente e de braços em V, pelo chão dou-lhes de novo as minhas mãos e elas vêm recebê-las andando até ao pé de mim.
Levanto-me e com o meu andar, desenho infinitos envolvendo as duas, continuo e o meu corpo faz com que o espaço entre nós diminua, até nios tornarmos as 3 nesse infinito que gira sobre si e entre si.

Viajante: i francisca
Testemunhas: Teresas

Escolhemos um lugar aos sol, precisamos de luz e de calor. O calor inspira-te e abraça-te. O sol desenha uma esquadria no chão através da janela e transforma os teus cabelos, dando-lhes um brilho sauave e doce.
Toda tu é suave e doce, mas aqui confiante por partilhares connosco, sem medo nenhum, sem qualquer tipo de altivez.
Recuperavas algo, sim o que eu vi aqui foi uma partilha de uma recordação, de um estado muito teu que tu precisavas de resgatar.
E tinhas razão, esse estado trouxe-te de volta, à força da doçura e da suavidade.
Despes te e eu arrepio-me, está tanto frio aqui. Vais tirando as camadas para te sentires melhor.
Abres te no chão e depois para o espaço com uma energia de braços e tronco rodas, balouças e suspendes.
E voltas ao sol e atreves te a tirar mais camadas e, semi nua aproximas te de nós e deixas me sentir o toque da tua pele e o teu cheiro e, deitas te no colo dela e, os teus pés dão-se às minhas mãos. E, eu sinto-te de novo em casa. E, pronta!

... de interseção

O outro como ... de interseção da minha viagem.
enquanto ... de partida ... ou que dá um .... de partida.

o outro como facilitador.

quando é que as nossas viagens são paralelas?
quando é que abandono a minha viagem para ir na tua?

viajar no meu mundo na presença do outro: exercício de confiança, de amor, de generosidade/dádiva.

Descobertas B, num estado de relação com o outro

1.
Estar comigo mesmo quando estou contigo.
Quando não estás ao pé de mim, não me sinto só ou à parte.
Estar comigo também é estar contigo.

2.
Direito a estar comigo, na tua presença.
Fazê-lo como algo de bom, saudável.
Necessidade de estar comigo, na tua presença.

3. ès
uma testemunha
do meu estado de relação comigo própria.

4.
Ao estares lá,
sustentas-me.
E permites-me,
estar onde eu tenho de estar.

5.Estar
sem interferir,
com a tua
presença.

Mapa B

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

PROCURAR BELEZA NO NOSSO MUNDO (ESTOU AQUI PARA TE APOIAR/SUSTENTAR)

Teresa Santos:

As mãos carregam energia sua e do mundo. Elas levam-na. Ela deixa-se ir.

Tocar, dar, transferir, olhar, voar, dobrar, esticar, entrelaçar.

Um todo, movido pela energia universal.

Larga-se e encontra-se. Guarda-se e sustenta-se. Atira-se e protege-se.

As suas mãos são leves.


Teresa Prima:

De si, sai. No espaço enconra espaço. Este é o seu mundo. Oferece-se em estrela e rende-se ao que faz parte de si.

No caminho encontra-nos. Sorri. Percorre infinitamente um caminho entre nós.

A cada passo o vento vai movendo-nos. Aos poucos estamos juntas... somos leves e estamos suspensas em rodopios. Que nem uma folha de papel solo no ar.

O movimento continua e nós conseguimos ver-nos.

Estamos juntas.


Isabel Francisca:

No meu lugar, (sei que pertenço ao sol)... Percebo que não estou só. Danço entre a luz e a sombra. Liberto-me das capas que tenho... Tiro peso de cima de mim. Sinto-me mais leve. Sinto-me aberta para o meu mundo.

Hoje encontrei Beleza no meu mundo, percebendo que enho que me libertar do que pesa e entregar-me à Luz.

Tiro a minha roupa. Desejo sentir os raios de sol na minha pele. Desejo que o branco reflicta. Desejo oferecer esse toque quente ás minhas companheiras. Desejo adormecer leve, ao sol, deiada ao pé delas...

Sentir-me acompanhada... Sentir-me com Deus.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Procurar a beleza no meu mundo

Teresa S.
A vibração que sinto dentro começa a manifestar-se no corpo, primeiro com gestos que me fazem lembrar movimentos inquietos, até começar a concentrar a atenção nas mãos. Procuro nelas e esta vibração que antes se manifestava no corpo todo começa a manifestar-se nos ombros fazendo-os tremer. Encontro uma posição em que as minhas mãos encaixam. Encontro beleza e não as quero soltar. Observo-me através delas, como se se tratassem de um espelho. Deixo que me surpreendam quando as deixo deslizar até soltar, e vejo como a mão vai directamente até à minha face e volto a encontrar beleza. Há partes do meu corpo que estão fechadas e outras vão-se abrindo. Sinto a presença delas e quero que se vejam também através das minhas mãos. É o que tenho para lhes oferecer. Uma mão descansa na coxa e todo o corpo repousa nela, enquanto a outra viaja o mais longe possível de mim tentando aumentar o meu mundo, a mão expande-se e torna-se mais receptiva, como a antena desta procura. Apercebo-me de uma mão que se fecha e outra que se abre e movo-me em volta delas. Abro-a no final e voltam ao seu encaixe perfeito, como um molde.

Teresa P.
Vai-se revelando aos poucos. Começa numa posição fechada, cai e vêm-se as costas numa posição mais aberta e a mão na cabeça, vira-se para cima e vêm-se traços da cara até tirar o carapuço. Continua à procura nesta posição acocorada, redonda, no chão. Numa vez estende os braços em direcção aos meus pés e sinto que as suas mãos e os meus pés comunicam. Começa a desenhar no espaço, a reconhecer espaços que já lá estavam, são movimentos redondos e o seu corpo está completamente entregue a estes mundos que cria dentro do seu mundo. É aqui que se levanta e nos círculos que dá ora para um lado ora para o outro com os braços abertos, cria círculos. Fica em equilíbrio quase como se estes círculos no espaço a equilibrassem. O olhar fixo em algo leva-a para o chão. Caminha com cada uma das mãos apontando na direcção de cada uma de nós. Volto a sentir o contacto que é reforçado quando olha para nós. Levanta-se, rodeia-nos até entrar-mos as três numa espiral que cresce e que termina naturalmente à medida que diminui a intensidade.

Isabel
Começa estabelecendo contacto visual connosco, deixa-se deslizar até se sentar de lado e reparo na posição abandonada da mão, há aí algo de belo. Volta a olhar-nos agora noutra posição com outra perspectiva. Continua a deslizar nas pernas, viajando pelo chão, o peito vai-se abrindo e os braços estendem-se, como se procurassem mais longe. Vai-se desfazendo das camadas que a protegem ficando cada vez mais frágil. É quando tira as meias que se levanta e os braços estendidos a levam a descobrir mundos e movimentos novos. Há uma espécie de rebound nos braços, como se ganhasse energia para continuar e ao mesmo tempo recordassem o que acabaram de experimentar. Senta-se de costas ficando o corpo na sombra e os pés iluminados. À medida que se movimenta, outras partes do corpo ficam iluminadas. Com braços frágeis vem ter connosco para dar e receber de nós e de si.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Agir do coração, dar e receber

Procuro abrir-me para aquilo que já é, que já está e que já somos, e agir a partir daí. Apercebo-me que tudo se torna fácil e sinto a humanidade ao escutar e ser escutada. Podemos agir do coração em tudo o que fazemos.

Procurar beleza na relação com o outro

Quando descanso da minha vontade é quando me sinto realmente conectada com a essência do que quer que seja. Reconheço o silêncio que sempre esteve lá. Permito descobrir-me através do outro, através do fluir dos nossos momentos de intersecção. A viagem decorre serena e tenho consciência da presença em mim condutora da existência, e do outro como um eu que a testemunha e reconforta.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Procuro Beleza através da minha relação com o outro e num estado de relação

Procurei na nossa relação espacial, procurei na procura da outra, procurei... e apenas encontrei quando parei... quando escutei...


Encontro o espaço de observação. A forma como o faço, é me dada pelo que me chega dessa observação.

Quero estar deitada de lado com a cabeça apoiada nas minha mãos, ou com a cabeça ao contrário... As linhas e os pontos regulares tornam-se irregulares... da situação crio as minhas imagens...

Percebo que ocupo um mesmo espaço como observadora. Também faço parte do quadro.

Deparo que danço a 'dança da observadora'. A musica trouxe-me este elemento.

Aos poucos apercebo-me que estou mais perto das minhas... Não sei se fui ter com elas ou se elas vieram ter comigo... Encontramo-nos...

Continuo a observa-las... Não preciso de mais...

Vejo-me pelo meu coração

'Vejo-me pelo coração!, Vejo-me pelo coração' digo a mim própria. O som ressoa no meu corpo silênciosamente.


Sinto o oxigénio a entrar... os pulmões movem-se... pela respiração encontro a abertura que precisava... a cada momento sinto-me mais fresca.


Observo as minhas e sorrio... quero dar-lhes um olhar doce...


A cada inspiração sinto-me mais forte e livre... reuno energia e armazeno-a até sentir-me plena (que saudades já tinha)


Quando me entrego ao espaço, Danço.

Cada vez mais sei que só consigo dançar quando estou neste estado -Estado de Beleza.

O corpo não me oferece resistência... Sinto-me leve... Estou mesmo feliz...


Quando abro os olhos tenho as minhas a cuidar de mim... Sinto-me grata.


Eu procuro a Beleza atraves da minha relação comigo

Olho para dentro de mim e encontro a vontade de respirar e de permanecer.

Gosto da vibração que o toque me trás. Move-me.

Fecho os olhos e o espaço desapareçe.

Só estou eu.

O poder abrir e fechar-me.

Abrir-me para o céu, para a terra e o ar que respiro e fechar-me numa bolinha onde estou quentinha e protegida.

Quando procuro Beleza na relação comigo encontro as pausas, o toque, o abrir e fechar...

Conseguir apreciar com todos os sentidos algo que está a acontecer comigo e aqui

O corpo vibra. Sabe-me bem friccioná-lo lentamente .

Deixo-me envolver por essa sensação de 'ir'. Com o meu ritmo.

Observo as Teresas e consigo saber o que elas sentem com a cabeça apoiada nas mãos...

Quando me levo a apreciar o 'aqui' e o 'eu', o tempo desaparece. As memórias idem.

Estou no presente.

Vivo o toque em mim, nos outros, dos outros em mim e de mim nos outros.

Existe ligação.

O sentido da visão deixa de ser importante, e deixo-me confiar no que o instinto me diz.

Rimo-nos, olhamo-nos... Existe amor!

Brincamos. Fazemos trapalhiçes...

O corpo pára e damo-nos conta que estamos a conversar sobre nós!

Conversamos no mesmo espaço a ver as mesmas coisas...

Estamos conectadas.

Lá vem a música... Lá vamos nós...

Não somos pessoas sérias :)

domingo, 12 de dezembro de 2010

Procurar B através de um estado de relação comigo

Gostaria de ir dentro, mesmo muito dentro e ficar frente a frente com os meus verdadeiros olhos.
Procuro emergir nesse estado de silêncio, onde o único som que ressoa é a minha própria respiração. A respiração é o canal que devo utilizar para realizar esta viagem.
Sinto vontade de me revirar. Gostaria de mergulhar para dentro do meu próprio corpo, para dentro da barriga, para dentro do peito, para dentro. Descanso da procura colocando o olhar em alguma coisa, do lado de fora, no espaço. O exterior amacia o meu olhar e relembra-me que estou aqui e que todas essas viagens dentro, são para trazer para fora, exactamente o quê? quando encontrar, eu digo.

As minhas mãos ligam coisas, ligam-se uma à outra numa espiral infinita............................. .............

Objectos B

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Procura da beleza na relação comigo

Soa um apelo interior. Um apelo à beleza, ao seu reconhecimento e manifestação. Preciso de tempo para mim. Os gestos são normais mas há algo mais que os transforma, transformando o normal em simplicidade e beleza. Eu vou abrindo-me. Apetece escutar-me e escutar a elas que me observam. A cabeça tem o desejo de brincar e eu sigo-o, deixo-a ir e vou com ela. Todo o meu corpo se entrega e as sensações intensificam-se à medida que aumenta esta entrega. Paro a tremer e dou-me carinho. Cruzo as mão e levo-as ao peito, apoio a cabeça, toco o cabelo e continuo a abrir o peito. O meu corpo ainda treme, talvez por sentir a presença da beleza.

Conseguir apreciar com todos os sentidos algo que está a acontecer comigo e aqui

Observo os diferentes tons de luz da sala. Aperto as mãos. Não existo só em mim. As brincadeiras fazem-me rir e o movimento e a relação nascem espontâneos. Viajo através das histórias e cantigas de embalar. Nesta posição descontraída não as vejo, apenas sinto que estão.Crio espaços na minha 2ª pele. Faço perguntas e quase nunca respondo. Sinto-me a absorver as suas respostas. Esta música dá vontade de dançar e correr num abraço sabe tão bem. O tempo voou.

3ª lista b:
Brincadeira
Espontâneo
Ligação
Sem tempo
Acção
Prazer
Sentir
Reconhecer/criar espaços

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Encontro B nestes objectos quando:

apelam ao toque. Á descoberta.
apelam à relação.
há harmonia na sua forma.
um objecto material poduz outro imaterial, exp. O som.
é simples na sua forma, concepção, material.
Éé organico.
revela criatividade/imaginação.
é manual, sofreu intervenção humana.
revela algo sobre o autor.
tem detalhes.
me interpela e estabelece uma relação directa comigo, exp.através das palavras, som...
eu vejo de ti neles, quando encontro as tuas impressões digitais, as visiveis e as invisiveis.
o objecto que serviu de molde ao teu corpo se torna de seguida do meu.
Me transmite noções ou sensações como: verdade, transparência, genuinidade, sinceridade, amabilidade.
me desafia, me inquieta, interpela com amabilidade, sem imposição.
faz imergir em mim sensações de inocência, suavidade. Quando aviva a minha memória ligada ao período de infância.
é puro, total. Um estado bruto.
é natural ou está ligado á natureza.
tem força, concentrado, intensidade.
me provoca sensações de: amor, pureza,bem estar, reencontro, paz, grandiosidade interna, leveza, proteção.
transmitem “magia”.
no movimento, e por vezes na leveza deste, ou na força deste.
evidenciam a relação luz/cor/brilho.
a ideia que o objecto em si transmite é nobre.
tem equilibrio.
são pouco rebuscados.
uma coisa (um elemento) foi transformada noutra, exp. cana/flauta.
cria imagens em mim, ou alimenta o meu imaginário (exp. atraves da palavra, do som).
tem harmonia na combinação de materiais diversos.
me desperta os sentidos (exp.através dos materiais, formas, padrões).
me transmite um caracter único.
a sua função é poética (exp. folhas de carta).
transmitem harmonia no contraste (exp. de materiais, padrões) ou estes convivem “alegremente”.
me inspira, me eleva ou provoca uma sensação de profundidade. Me reconfortam, apaziguam ou transmitem esperança.
me abraçam.
me fazem estabelecer ligações.

E então eu:

sorrio, respiro fundo, ligo-me, associo, deslumbro-me, sinto-me bem.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Lista B, pela observação dos objectos:

Sinto o momento da sua construção

Contemplo

Vejo um mistério

Reconheço o amor

Reconheço a dádiva

Respeito

Cheiro e sinto as suas memórias

É belo, deixo-o estar tal como está

Sinto-o no corpo e faz-me sorrir e dançar

Encontro personalidade na dança duma bola de sabão

Os nossos olhos cruzam-se, e em silêncio das-me um sorriso, um olhar de tranquilidade e paz e uma palavra: "Consigo sentir-te"

Perco a noção de tempo.


"Estou suspensa num planeta lindo em tons de verde, amarelo e vermelho."


2ª lista b

Objectos b

O que sinto? O que provocam em mim?
Tristeza, identificação, compaixão e união.
Transformo-me na pessoa que usa o objecto, tenho imagens de como é estar aí e de sentir o que ela sente.
Concentro-me no centro cardíaco.
Respeito carinho e admiração que me fazem tocar no objecto como se se tratasse do tesouro mais precioso.
Desperta-me candura como um desenho de uma criança.
Flutuo.
Apetece-me dançar num abraço.
Arrepio.
Sorrio.
Vontade de mergulhar, de ir mais fundo.
Surpresa.
Conforto.
Relaxo.
Calor.
Protecção.
Recordo uma emoção.

Que características os tornam, belos?
Descrição pormenorizada de uma situação que provoca uma emoção.
Palavras de união.
Fragilidade.
Convergência e expansão a partir de um ponto.
Simplicidade.
Cor.
Cheiro que imagino.
Os toques suaves que dão as bolas de sabão entre si sem rebentarem, e o silêncio do momento em que rebentam e deixam de existir sob a mesma forma.
Forma de olho com uma cor profunda como o mar.
Expressão de um sorriso.

Observação do processo da Teresa e da Isabel
Elas dão atenção ao objecto e de alguma forma o objecto parece retribuir.
Ouço a procura da beleza. É uma verdadeira procura do som belo, pois há que compreender o ponto certo onde soprar, se não não passa de um bocado de ar a passar por um pedaço de madeira.
A Teresa fecha os olhos, talvez para procurar melhor a beleza do som.
A Isabel senta-se nos calcanhares com o vestido em cima das pernas.

À procura da beleza nos sonhos 1: as luzes na praia


Estamos as três na praia e está uma noite agradável. Ensaiamos enquanto outras pessoas brincam à nossa volta. Sem avisar, umas luzes magníficas aparecem no céu e, depois da minha incredibilidade me gerar um pensamento que afirma serem apenas luzes fantásticas de um fogo de artifício, a Teresa começa a contar-nos que se trata de um fenómeno que acontece algures num ponto longínquo do universo e que é muito raro. Pela sua expressão parece-me que o pressentira, e por isso nos conduzira aí. Não há palavras para descrever a beleza deste momento que partilhamos.

1ª lista b

1 de Dezembro de 2010

Presença
Vida/morte
Conforto
Equilíbrio
Transparência
Espaço vazio
Três
Luz/sombra
Pertença
Benção
Surpresa

domingo, 5 de dezembro de 2010

?


Que nome dariam a esta imagem?

1 de Dezembro de 2010


Realização da presença

Foi quando subimos a um monte de areia que senti as três presentes em unidade. Cada uma vai na sua procura, deixo-me influenciar pelas suas procuras e tenho curiosidade em saber o que as atrai. Observo em meu redor, aqui a presença da vida é muito forte. Uma infinidade de seres habitam este espaço e respiram connosco.

Em busca de equilíbrio

Quatro esteios ao alto sugerem-me um espaço de abrigo aberto ao mundo. Subo a este telhado invisível buscando um equilíbrio que nada tem que ver com a necessidade de sentir-me estável. É uma zona de desconforto em que me sinto confortável, como em qualquer abrigo digno deste nome. Gosto de estar no alto e registo a minha nova perspectiva da Teresa e de mim.

Percepção de um novo mundo

Ver a realidade através do reflexo de um vidro remete-me para o fantástico e o oculto que se manifesta. Como se um novo mundo sempre estivesse estado aí à espera que alguém o fosse procurar e pousar lá o seu olhar para este se manifestar. Este espelho em particular revela-me um mundo com contornos transparentes, que nem por isso deixam de ser reais.

Realização da necessidade de preencher um espaço vazio

Espreito para dentro de uma toca escura e vazia. Sinto um vazio também em mim e começo a enchê-la de folhas, com a esperança e a intenção de preencher também o vazio e os espaços desfragmentados em mim, e assim, ser completa.

Trio: Vídeo 1 from Teresa Santos

Co-existência da vida e da morte

Imagens contrastantes de vida e morte predominam na (nossa) natureza. O que representam as imagens de vida? E as da morte? O que sinto perante a morte de algo que já foi belo? Poderá também residir aí a beleza, em algo que foi e já não é? A vida é feita de processos de transformação.






Observação do número 3

3 bugalhos rolantes, 3 objectos que servindo para o mesmo objectivo e sendo até parecidos estão em estados diferentes, 3 troncos velhos e cansados que repousam.

Contraste luz e sombra

Como o Sol e as árvores fazem ao chão desta floresta, há sítios e pessoas que também têm o dom de fazer com que me salte à superfície a minha sombra e a minha luz. Sem consciência da minha sombra, nunca poderia trazê-la à luz. Por isso, obrigada.

Sensação de pertença

Encontro um sítio onde sinto mais forte que pertenço. Sinto que este é o momento certo, o tempo e o espaço certos para mim, e confio que aqueles à minha volta estão também a viver os seus momentos certos. Tudo no universo se encaixa e é-nos devolvido o poder de viver completamente.

Bênção

O sol e o tom verde que se estendem à nossa frente iluminam uma potencialidade infinita de caminhos. Sinto que abençoa esta caminhada que escolhemos fazer juntas em descoberta de nós.

A minha viagem ao país das cores, formas e texturas



























Que aven
tura... Mundos descobertos, seres estranhos, conversas sem sentido...
Uma verdadeira Alice.

As árvores que se abriam para o céu e que quando lá chegavam abriam-se em flores e folhas bailarinas. Cobriam-me... eram os meus chapéus e mantos...
As solitárias e pequenas árvores que eram mais altas que o verde que nascia da terra vermelha,
amarela castanha e húmida.
Teresas, um espelho
de mim... Eu, mais eu, e mais eu... três eu´s...
O espaço desorganizado com organização. Pela mão do Homem e pela mão da Natureza. O Homem desconhece a ordem da Natureza...

O que é isto? Carros
? Mar? Vento...? hum.... não importa.... é o meu som de embalo.
O pinheiro penteado mas que o vento não o deixa assim por muito tempo.

Existem portas... quero abri-las.... E abro-as no meu pensamento... Sinto a corrente de ar a passar pela minha pele
de galinha.
Os cogumelos! Uma quantidade deles e com personalidade... Bom os amigos que fiz!

O cogumelo guarda-chuva: tirei-lhe uma fatia
sem querer... por momentos fiquei muito triste, mas depois senti o doce, macio, humido e esponjoso que ele era... maravilhoso.
O cogumelinho: Era tão pequeno... e tinha uns pés ainda mais pequenos

O cogumelo casa

A familia cogumelo

O cogumelo flôr

O cogumelo parafuso

O cogumelo perdido

E o grande cogumelo!
!! Incrivel... que nem uma flôr do deserto...
A luz que se fez sentir! As sombras... a luz na pele... a contraluz... pés presos a eese lugar porque ali estava quente!

O 'lá' e o 'cá'.

Os botões perfumados.

A folha lago.

As gotas de agua cristal.
A flôr candeeiro que
iluminava o local escondido e escuro de onde estava.
As árvores neve, que contrastavam com os castanhos, verdes, vermelhos.

A folha borboleta deitada no chão macio de relva verde.

A mangueira camaleão... Escondida nas folhas da mesma côr.

A incrivel folha modelo que cai mal a fotografo.

E a folha amarela suspensa na arvore neve.


Encontro uma planicie verde... Já sonhei com isto! Lembro de lhe chamar 'a minha floresta'

Estou acompanhada pelas Teresas... Estamos em linha a olhar em frente... Vamos começar!!!


Olho para os meus sapatos e estão ligeiramente
sujos... É uma consequência da viagem!
E que bom que é!

sábado, 4 de dezembro de 2010

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

1ª Viagem, a três






(estou entre as minhas iguais)

Modivas 1º dezembro, quintal da teresa s.

é tão facil regressar a casa. Ela está em todo o lado, oferece-se a todo o instante com a sua enorme generosidade. Apercebo-me que sinto a sua falta pois só a encontro verdadeiramente, ou mais prolongadamente, quando me dou a este exercício de serenidade e contemplação.
E então acontece, sem esforço nenhum, um grito ou uma gargalhada silenciosa, brota do centro do meu peito numa espiral de expansão, identificando-se com o sol e com a luz.
E torna-se claro, que não é preciso nada, nem ser, nem fazer, nem ter pois na realidade já se é, já se etá a fazer e a ter tudo aquilo de que se precisa.
Reconhecer isto com todos os poros, com todas as células e partículas do ser é reconhecer a Beleza e identificar-se com ela.
A beleza é o alimento da alma e é também a comunhão de todas as almas num júbilo de existir.
E revela-se na luz, na cor, na harmonia da sobreposição da matéria,na transparência, no processo natural, no quase, na eminência, na potência, na serenidade, na mistura harmoniosa do contraste, no todo, na igualdade da diferença, no que a seu tempo se revela, na surpresa no detalhe, na sugestão de uma oásis, no suporte ou na sustentação, no novo e no velho que se sustentam mutuamente, na diferença da semelhança, no acaso, na sugestão de um outro imaginário na realidade visivel, no contraste da verticalidade com a horizontalidade, na revelação do processo da vida, na renovação, do novo a nascer do velho e do velho a abraçar o novo, na individualidade que se integra no todo, no que se vê através, no movimento de convergência e divergência, no círculo, no que principa e acaba...

...é, uma voz que fala comigo quando sereno...

domingo, 19 de setembro de 2010

Projecto B no Centro Cultural Vila Flor


Entre 20 e 25 de Setembro o Projecto B estará no CCVF, realizando o "Atelier de Pesquisa Coreográfica Projecto B" dirigido a não profissionais do espectáculo, o Atelier de Dança Criativa "Onde se esconde a beleza?" dirigido a crianças do 1º Ciclo e será apresentado o solo criado no seu âmbito: "na terra a olhar o céu".

Fica aqui o convite!

Abraço B
Teresa

sábado, 7 de agosto de 2010

Testemunho B, Paulo Duarte

projecto b

Estima-se que a população mundial situa-se nos 6,7 mil milhões de pessoas (e nem vou para as que já existiram antes deste tempo presente). Apesar de crenças e descrenças, é difícil dizer o como exacto da criação... do espaço, da terra, dos animais, das plantas, do Universo, das pessoas... da pessoa: de mim que escrevo, de ti que lês.
Há uma vontade, em sentimento e em vivência, de buscar a essência de algo que nos caracteriza em profundidade. Afinal a terra não é morta, mas viva. Ligações, connections, diálogos, encontros... Silêncio, gritos, passos a dar e a desenvolver... em caminho, com o(s) outro(s), pelo(s) outro(s), para o(s) outro(s)!
E somos cerca de 6,7 mil milhões... Talvez nessa busca a Teresa, ou eu próprio nesse projecto que também faz parte de mim, não cruzará com cada uma destas pessoas. No entanto, avançamos em direcção à profundidade das coisas, da realidade, do que nos rodeia. Como que no desejo de que cada pessoa repare na mudança de cor que ocorre ao longo dia na rua, na avenida, na praça, no jardim, que vê todos os dias... No desejo ainda, e sobretudo, de reparar que cada pessoa é um desafio, por ser ela própria um Universo em criação, em expansão, em descoberta.
E na ligação entre o céu e a terra, poderemos maiusculizar, entre o Céu e a Terra, ganha-se o pudor e respeito, mesmo que caracterizado de old-fashioned, e assim, com humildade – que vem de húmus, terra –, seguimos em busca de algo sagrado: Beleza!
Sem grandes rodeios definitórios, apenas vivenciais... Como que o penetrar na terra fértil, ficando com o sorriso. Então, a terra somos nós, regados pela chuva, saindo aquele cheiro característico que diz: “Está pronta!”.
Pronta para dar o que recebeu...

Testemunho B, Isabel Costa

Em Abril de 2009, estava eu mais uma tarde num café com uns amigos,, bastante em baixo porque não trabalhava... não dançava... não sabia o que queria realmente fazer... Procurava o motivo para dançar... não me sentia completa... sentia que todos os dias vivia a mesma vida... Quando olho para o balcão, vejo um folheto 'Atelier Coreográfico Projecto B de Teresa Prima'... Li... Achei interessante mas guardei-o no bolso sem vontade de o fazer... andava desanimada... não queria dançar... Mas algo me disse 'Vai, não tens nada a perder'...

B! Deixei-me encantar... Descobri uma parte de mim, que nunca soube escutar... Foi maravilhoso!
'sente o teu corpo e deixa-o falar...' que incrivel a magia que tomou conta de mim... percebi onde a tristeza me afectava... percebi o quão gasto estava o meu corpo e a minha alma após 5 anos de imposição de movimento... Estava a descobrir uma liberdade! Essa sensação que sempre procurei... mas que não sabia o que era...

'E se...' 'e se...' que perguntas bonitas eram propostas... que descobertas...

Não foi só um atelier coreografico, foi um momento onde foram criaradas amizades muito fortes e um ensinamento de vida... Sensibilidade... Viver... Ser...Dançar e criar... A arte é uma forma de viver... não se pode separar... temos que ser honestos e simples... tanto na vida como na arte...
Intitulei o meu projecto final do atelier de 'Meu projecto B’... Um projecto que ainda continua em mim...

Não acredito no acaso. Tudo o que nos acontece na vida têm um propósito.
Encontrei-me com o ‘Projecto B’ por uma razão muito especial... Encontrei o motivo que me faltava... A minha vida e as minhas relações, deram uma volta...
Depois de encontrarmos o inicio do fio B, só temos que continua-lo, a ver onde nos leva...

Em 2010 sou convidada para assistente de ensaios no solo da Teresa... 'Na terra a olhar o céu'... um convite para assistir a uma viagem B...
Estar na terra a olhar o céu, é onde a dança surge... dum auscultar... Estar 'aqui' olhar para 'lá' e render-me!

“Toco-me. Sinto-me...
Transfiro-me energia...
Encontro as posições que melhor me fazem sentir e que melhor me fazem estar...
A minha energia comanda o meu corpo. Do meu toque surge a dança...
As minhas mãos carregam energia universal...
Amor...
O meu corpo dança porque as minhas mãos assim o dizem...
O chackra do coração vibra... Páro para respirar... Abro-me ao céu...
Sento-me para passar as mãos pelo meu corpo...
Estou carregada de amor...
O meu corpo dança...”

domingo, 30 de maio de 2010

B

quarta-feira, 26 de maio de 2010

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Sinopse

Sobre o Projecto B

O Projecto B, em desenvolvimento desde Janeiro de 2009, é um projecto de pesquisa, experimentação, sensibilização e criação coreográfica cuja força motriz é a procura da beleza, “lugar em comum” entre os seus intervenientes.

Propositadamente estendido no tempo, envolve ateliers, conversas e outras actividades que visam estabelecer uma relação de partilha, troca e enriquecimento mútuo.

Interessando-se, pois, pela visão, planos e estratégias que cada um pode criar para que a procura B possa ter lugar, ele será, por fim, um álbum, uma colecção dos processos, experiências e vivências de todos aqueles que, permanente ou temporariamente, dele fizeram parte.

O Projecto B não pretende definir o que é a beleza, mas gostaria de contribuir para relembrar a sua importância: relembrar e despertar são parte dos seus objectivos. Despertar para quê? Para o âmago – de mim, de ti (de nós) e de todas as coisas. Procurar, no fundo, a essência: perceber o que acontece no ser quando se procura este contacto e o que pode ser criado a partir dessa experiência.


“na terra a olhar o céu” é o primeiro de dois objectos coreográficos a serem criados no âmbito do projecto.

“A procura b tem-me levado a investir em mim de forma mais cuidada e carinhosa. Tem-me possibilitado conhecer novas pessoas e organizar novos eventos. Tem-me feito viver outras dinâmicas de relação que poderiam ser representadas
com o símbolo <------>. Tem-me deixado perceber que, apesar das diferenças, também existem semelhanças e lugares universais. Tem-me trazido diferentes encontros e tem-me revelado que cada um deles tem algo para me dar, cabendo-me a mim descobrir onde se encontra essa dádiva. Tem-me permitido dar, receber e devolver.

Sorrio com o percurso realizado.
Identifico no mapa o país b e admiro como tem vindo a criar a sua própria geografia.

Este projecto é
sobre todos aqueles que comigo
arriscaram aventurar-se
e acreditar numa ideia –
uma ideia que se calhar não serve para coisa nenhuma
mas que nos move.”


Teresa Prima


Agradeço a todos aqueles que procuraram comigo.
Dedico o Projecto B ao Sri Aurobindo e à The Mother.


@Isabel Costa

Ficha Artística

Autoria e interpretação – Teresa Prima
Colaborador artístico – António Lago
Desenho de luz – Diana Pimenta
Assistência de ensaios – Isabel Costa
Assistência de produção - Olga Almeida
Figurinos – Manuela Ferraz
Design: José Pelicano
Gestao de Projecto- PI- Produções Independentes

Agradecimentos: Paulo Duarte sj, Maria Lemos, Serafim Prima, Arte e Simplicidade, Rui
Rodrigues, Eurobotânica e a todos os convidados do Ciclo de Conversas com pessoas sentadas em círculo.

Colaborações: Adishakti Laboratory of Performing Arts, Teatro Maria Matos, D´Space

Projecto financiado por - Ministério da Cultura/ Direcção Geral da Artes (2010)

Co-Produção- Núcleo de Experimentação Coreográfica, Balleteatro, Centro Cultural Vila FlôrProjecto criado no âmbito do “Serviço Permanente”/NEC

quinta-feira, 13 de maio de 2010

13.05.2010 - Analises

I'A minha viagem' (1º corrido)

Estou deitada de lado... Fecho os olhos e sorrio... Dou umas gargalhadas silenciosas...
Deixo-me deitar de peito para o céu...
Fecho os olhos e respiro... Sorrio...
Olho para o lado... e abro a minha mão.
Sento-me. Levanto-me. Olho o céu e rendo-me...
Danço com os meus braços a luz que recebo...
Abro-me a ela...
Toco a minha terra...
Falamos...
Falo...
Sinto-me...
Encontro a minha terra...
Por entre montes e vales construo a minha paisagem...
Por entre montes e vales caminho...
Do topo dos montes retiro a terra e ligo-os entre si...
Abraço-a... envolvo-me...


II'Na minha planicie encontro o meu descanço' (2º corrido)


Estou aqui, ouço gaivotas lá ao longe...
Cantam para mim... Ouço-os treparem o tecto.
Fecho os olhos... o vento sopra forte... sorrio... toco o meu chão... sinto a sua vibração... o meu corpo deixa-se deitar...
Abro-me para o céu. Abro-me para ti...
Convido-te.. Sento-me... Olho o meu céu...
Levanto-me e rendo-me.
Dou-me... toco no meu chão... falo-lhe... fala-me... sinto-o... sente-me... amo-o... cura-me... danço...
Páro e deixo-me descançar...
O vento espalha a minha terra, transformando a minha paisagem em montes e vales...
Dos montes construo caminhos...
Dos montes construo planicies...
Dos montes construo outros montes...
Passeio... Na minha planicie encontro o meu descanço...

12.05.2010 - Analises

I 'A energia Universal' (sequencia 4)

Estou aqui... Estou tão bem...

O ar entra-me para o peito e sinto-me fresca...
Respiro...
Estou em paz...



Entrego-me ao céu e à terra...

Olho para a luz, sorrio...
Ela ilumina o coração...
O meu braço move-se lentamente porque a alma assim o diz...
A minha mão torna-se uma porta energética... Ela recebe da terra e dá ao corpo.
Abro o peito para o céu... Entrego-me...



Ouço a terra com as minhas mãos...
Trocamos energias...
Curamo-nos...
Entrego-me à terra...
Cuido dela e ela cuida de mim...
Abraçamo-nos... Dança-mos...
Trago a mim um pouco da sua energia.
Danço tocando nos chakras...
Revitalizo-me...
O céu fala... Escuto... Rendo-me...
coronário, cardiaco, pelxo solar, oelhos, sacro


II 'Eu, o céu, a terra' (Sequencia 3)

Deito-me de lado... A luz aquece-me... Estou tão bem... Vejo borboletas a voarem... Conecto-me com a terra. Deito-me e entrego-te o meu corpo.
Acaricio o meu chão e a minha luz. A minha mão dança e a minha alma sorri. Trago essse amor a mim. Deito-me sobre a minha terra. Abro o meu peito ao céu. Estou rendida...
Troco energias com a minha terra.
Equilibro as energias em mim...
Danço-as e o céu está lá...
Rendo-me...


III'Sou amor... Sou menina... Sou mulher... Sou plena' (Sequência 5)

Deito-me de lado...


Respiro...
Saboreio...
Deito-me com o peito para o céu...
hum...
olho a luz e recebo-a...
Sento-me...
Levanto-me...
Olho o céu e rendo-me...
A minha mão acaricia o meu rosto e o meu peito... Entrego amor ao céu... O céu entrega-me energia... distribuo-a pelo meu corpo... Entrego o meu corpo à terra... Sou um ponto de ligação... Sou uma fonte de energia...
Curo...
Curo-me...
Sou amor...
Sou menina...
Sou mulher...
Sou plena...

10.05.2010 - Analises

I Rendo-me (estabelecer ligação entre terra e céu)

Chego. Respiro. Deito-me. Deixo-me estar. Viro-me para o lado e trago os joelhos para o peito. Fico. Viro-me de barriga para baixo. Fecho os olhos. Estico os meus braços ao longo do chão...
Sabe-me bem...
Arrasto-me e páro.Viro-me para o outro lado...
Inspiro e deito-me para cima.
Levanto-me ligeiramente e deito-me de barriga para baixo. Dou o meu corpo ao chão. Viro-me de lado e apoio a cabeça na mão esquerda...
Deixo-me cair para trás e no movimento encontro um embrião.
Rendo-me ao chão...
Sento-me. Observo o ceu...
Volto a deitar-me..Trago o corpo para os joelhos. Num subir, sento-me de joelhos...
Respiro e rendo-me ao chão...
Sento-me e olho o céu...
Caio, rendo-me, subo e caio...
Rendo-me, ajoelho-me sento e caio...
Rendo-me...
Olho o ceu nos meus intervalos...


II 'De onde surge a dança...' (literalmente auscuto-me)


Toco-me. Sinto-me...
Transfiro-me energia...
Encontro as posições que melhor me fazem sentir e que melhor me fazem estar...
A minha energia comanda o meu corpo. Do meu toque surge a dança...
As minhas mãos carregam energia universal...
Amor...
O meu corpo dança porque as minhas mãos assim o dizem...
O chackra do coração vibra... Páro para respirar... Abro-me ao céu...
Sento-me para passar as mãos pelo meu corpo...
Estou carregada de amor...
O meu corpo dança...


III 'Dou, recebo, permito' (Deitada de lado + entrego-te agora algo a ti)

Deitada a observar a luz, sorrio...
Fecho os olhos...
Aos poucos o corpo fala por si...
A luz entra pelo chacra frontal, vai para o laringeo, para o cardiaco, e daí os meus braços movem-se...
O chackras básico e coronário estão alinhados...
A minha mão é o unico contacto directo que tenho e que preciso com o mundo fisico.
Quando abro os olhos estou deitada de barriga para cima mas continuo a focar a luz...
As minhas mãos são as unicas que falam e precisam de falar...
Todo o meu corpo está alinhado...
Ajoelho-me. Encontro-me de mãos abertas para o meu Universo... o nosso...
Recolho essa energia que me alimenta. Do coração dou e para o coração recebo... Os braços falam...
O corpo começa a ganhar vontade propria.
Estou aqui... Aberta... receptiva...

07.05.2010 - Analises

I 'Kenyoku'

Coloco-me no centro.
Abro-me ao espaço.
Dou-me ao espaço.
Danço nessa minha abertura.
Observo e dou-me a observar.
Agradeço o meu espaço.
Danço no chão que me faz sentir livre.
Espero... Sento-me... e recebo-o...
Os meus braços ficam tomados pelo coração...
Aos poucos tudo vai entrando em mim... Abro-me para ter espaço... Recolho amor...
Distribuo-o por todos os meus membros.
Dos meus sacos, solto a terra em cinco diagonais... o espaço transforma-se em montes e vales...
Cá de trás atiro cinco pedrinhas para lá...
Caminho por entre eles... uno com terra os montes... para que haja caminhos entre eles...
Sento-me nos seus intervalos... Entrego o meu corpo a esta terra-mãe... Lavo-me com ela...
Caminho de olhos fechados sobre ela... Procuro a terra para me orientar...
Fico em paz quando a encontro...

II'Sou mãe, amor, vida...'

Sento-me de joelhos.
Olho a luz...
Olho em frente...
Olho com amor...
Pouso as mãos no chão..
Sinto-o, olho-as, uso-as para me esticar...
Deitada em embrião sabe-me bem mover os braços à minha volta sempre em contacto com o chão.
As minhas mãos como ponto de apoio.
Volto a ajoelhar-me para meditar...
Pego num saco e decido despejar a terra toda num monte.
Pego num segundo e despejo em cima do primeiro.
Pego num terçeiro e despejo em cima do primeiro e do segundo...
Pego num quarto, num quinto, e despejo o quinto em cima do primeiro, segundo e terçeiro.
Pego no quarto e delicadamente despejo à volta do primeiro, segundo, terçeiro e quinto.
Volto a colocar os sacos no seu lugar...
Arregaço as calças, preparo-me e enfio o meu pé e perna direita mesmo no centro alto do monte. Enfio logo de seguida a esquerda, mexo os meus dedinhos dos pés e um pouco das articulações que me dão prazer no saborear deste monte de terra humida...
Aos poucos vai ficando uma cratera, que o meu corpo mole constroi...
Expando o monte para vários montes e depois para uma planicie... A minha cama... … …
Acordo. Ajoelho-me no centro e cubro-me de terra...
Eu sou uma extensão da terra...
Terra que desapareçe por entre as pernas quando as abro...
Mãe que gera...
Dadora de vida, porque é vida...

quinta-feira, 6 de maio de 2010

05.05.2010 - Analises

I Transparência

A luz aquece o meu corpo.
Dou-lhe o meu peito...
Preencho a area de luz, e dou-lhe as minhas costas.
Gosto de a sentir no meu ventre... Na planta e nos dedos dos pés... O meu braço esquerdo...
Aponto a luz para lá... Caminho em direcção aos sacos.
A meio páro.
Rodo o meu corpo a pisar o chão com as minhas mãos.
Tiro uns cabelos colados a elas e abro-me.
Brinco com os meus ombros... quero que o meu coração comande o meu corpo...
Páro...
digo que não...
Acho que estou cansada...
O meu corpo está a precisar de se sentir vibrante e leve.
Uso a força e a repetição para ele se libertar...

Doi-me o coração...
Sinto-me desconfortável...
Choro...
Era mesmo isto...

quarta-feira, 5 de maio de 2010

12.03.2010 - Analises

Onde está a Beleza?

Deito-me em embrião.
Concentro-me na pergunta.
Vou encontrando a posição que me faz sentir confortável.
A respiração está presente para me equilibrar.
O toque em mim, envolve-me.
Espero. Paciente. Procuro. Brinco.

Impaciente.

Encontro o balde...

A luz entra... sorrio... Procuro... Brinco...
Estou tonta.
Fecho os olhos... Paro... Abro... Caio...

Na espera encontro a dança.
Olho para mim... Estou bem. Massajo-me... Aperto-me... Moldo-me... sinto-me... Espero...
Um pássaro ao longe canta.
Escuto...
Deito-me... fecho os olhos e algo vem...

Acordo. Não procuro... vejo algo.
Volto ao inicio com algo mais...
Paro...


Reúno condições para encontrar o meu estado de Beleza


Organizo o meu espaço.
Na organização encontro o estado.

Cada circulo, um nível... um passo, cada fôlego...

Gotas de água... Universo... "Eu", recebo...

terça-feira, 4 de maio de 2010

03.05.2010 - Analises

I'Sinto-me'

Deito-me com uma almofada de terra. Olho para cima.
Sento-me e continuo a abservar. Sorrio.
Coloco um novo saco de areia e fico melhor sentada.
Embalo-me e sorrio.
Sinto-me cada vez mais feliz.
Trago um 3º saco. Sento-me de joelhos em cima deles. Tenho que me equilibrar.
Ponho-me de pé.
Estou mais perto.
Olho para cima para baixo, para a esquerda e para a direita. Cada vez mais rápido. Cócoras... e espero por mim...
Vou para o chão... olho para os meus sacos e rasgo-os... desenho uma linha de montes de terra em diagonal.
Deito-me sobre ela e caminho... arrasto-me. Sabe-me bem o suave, o humido e o quente dela.
Pego no 3º saco e deixo a terra cair na mesma linha.
Caminho sobre ela.
É uma nuvem!
Esvaszio o 2º.
A terra é minha mãe.
Abraça-me e eu gosto de a sentir.
Dá-me paz.


II 'Permito-me'

Caminho lentamente em direcção.
Páro, olho para cima e rendo-me.
O meu corpo sobe... Vou até lá.... tento... Não chego, fecho-me...
Ergo-me, e numa inspiração, permito-me reciclar.
Conecto-me com a terra. Ela fala-me. Ela move-me.
O som do meu corpo a deslizar no chão é a minha musica.
Dada ao meu chão, liberto-me e conecto-me com a 'Mãe'
Entrego-me ao ar... Abraço e sinto-me.
Dou e recebo.
Falo. Comunico. Respiro.

A musica entrou e violou-me...
Parou.me... Deixou de ser necessário o meu movimento.
O movimento tornou-se mais duro.
Parei porque quis encontrar-me novamente. Espero que a musica pare...
Voltei a fechar-me. Decido levantar-me, limpar-me e começar de novo.
Tápo os ouvidos. Não quero ouvir mais... A musica desaparece aos poucos...


III'me... a terra que nasci...'

Hum que bom...
Que bem que me sabe a luz... faz-me querer mover... quero estar a vê-la a toda a hora...
Abro o meu corpo.
Brinco e rodopio.
Olho o espelho. Quero ver mas recuo.
Encontro os meus sacos. Sei que estiveram lá o tempo todo.
Tocar-me, arranjar-me, sabe-me tão bem...
Sem querer estou a dançar, porque o meu coração dança... sinto-me bem... sei-me bem... Sinto-me saborosa.
Gosto-me. Quero sentir-me... cada vez mais...
Páro e respiro... Sorrio! Sorrio?
Movo-me... Esfregome... Páro... estou bem... estou com amor... abro os braços, abraço-me...
Eu tenho amor. Olha, olha, olha, vê!!!
Traço o meu caminho. Deixo rasto no meu caminho. Fecho os olhos e caminho...
Nasci desta terra.
O meu espaço está preenchido com terra, para que a minha presença nunca morra.
Ao meu lado está um anjo...

quarta-feira, 21 de abril de 2010

"E a Beleza, onde nos leva?" (excertos)

Conversa integrada no “Ciclo de conversas com pessoas sentadas em círculo” que fazem parte do Projecto B de Teresa Prima (T), coreógrafa e pedagoga e teve lugar a 18 Março de 2010 no NEC.

Convidados: Miguel Patrício (M), matemático e professor; Nuno Ramalho (N), artista plástico; Gustavo Cunha (G), professor de yoga.

Moderador: Paulo Duarte, sj (P)




P: Na busca do sentido da vida, qual o espaço ou lugar para a beleza?
Há beleza na matemática?

M: Há, há beleza na matemática. Para mim há estas questões: onde é que se encontra a beleza na componente técnica da vida e para que é que serve a beleza? Para mim essa beleza na matemática está no entendimento, quando as pessoas não percebem não gostam, depois de perceberem gostam, portanto penso que a beleza pode estar no entendimento.

P: E a beleza, onde é que ela anda na arte?

N: Desde que eu estudo para ser artista a beleza nunca foi uma das minhas inquietações, nunca foi uma ideia que eu me deparasse a ser explorada por outros criadores...
A beleza provavelmente vem pela arte, mas não se esgota aí, não entendo que seja o objectivo máximo da arte... claro que falando da actualidade. Há séculos atrás seria provavelmente muito fácil para um criador falar sobre a beleza ou sobre determinado aspecto da beleza. Para mim, hoje, é-me muito difícil pensar na beleza como algo fixo, mesmo dentro do campo da arte, que seria o lugar que lhe estaria reservado.

T: Interessa-me esse exercício de localizar a beleza num determinado campo... Mas quando falo de beleza no âmbito do projecto B o que para mim significa é a ideia de essência, do que está detrás, do detrás, do detrás, quando tentamos procurar isso nessa linha.

P: No fundo é um desfolhar, um destapar...

T: Sim, um viver a possibilidade de isso poder acontecer.

P: E no pensamento indiano? Sei que estudaste uns textos, os Upanishads que falavam sobre a beleza...

G: Sim, os Upanishads são dos textos mais antigos da humanidade, esses textos encaram a beleza como algo ligado à plenitude, ao equilíbrio, a algo correcto, algo que tem uma ordem por detrás, que não é caótico. Dizem que a beleza existe quando somos capazes de vêr para além da aparente beleza dos objectos; encaram o belo como essa tal ordem, o absoluto, a semente, a essência de tudo o que existe. Ao contemplar um pôr do sol, por exemplo podemos ter um momento de epifania.
Segundo esses textos, a beleza pode levar-nos a um início, a um encontro connosco próprios, leva-nos até nós mesmos. É essa a beleza que estes textos se referem, algo que já está, que sempre esteve, que vai existir depois. Portanto todo o momento é belo em si mesmo, trata-se de nós captarmos isso.

P: Podemos observar que a beleza pode ter um carácter universal... a matemática também.

M: Sim, uma das coisas que sempre me fascinou na matemática foi a sua universalidade, a possibilidade de através da matemática poder traduzir fenómenos do mundo real, em números, por haver uma ordem por detrás das coisas. E isso é reconfortante.
Quanto à ideia de epifania, eu penso que existe imenso na matemática, por exemplo quando os alunos de repente percebem algo ou relacionam com outra disciplina. Isso para mim é uma alegria enorme.

P: Na arte, por exemplo essa epifania estará na experiência, por exemplo, no momento artístico, no momento criativo?

N: Entendo que a beleza é sempre uma coisa demasiado fugidia para aquilo que eu pretendo, para a forma como vejo o mundo e as coisas à minha volta. Portanto parece-me que enquanto criador a beleza está em sentir-me agitado, em sentir-me em conflito, jogado contra as coisas, não está numa procura de que esse efeito de caos se dissipe, se torne plano...
Se temos uma ordem tão específica no mundo que nos rodeia, então eu penso que a arte, se destilarmos bem as coisas, não serve rigorosamente para nada... Então nesta sociedade onde se ensina a ser técnico, prático, assertivo, se calhar o efeito belo da arte é conseguir trabalhar no sentido contrário, é conseguir introduzir interrogações profundas, transversais, cortes, dentro de determinado entendimento das coisas.

G: Do ponto de vista da minha área, um filósofo estará preocupado com as questões: como é que é possível haver beleza?, porque é que uma pessoa considera algo belo?, o que é que criou a beleza em si e o seu oposto no indivíduo? (...)
Talvez a beleza nem me pertença, talvez eu não possa ter a pretensão de querer agarrar a beleza... Se calhar a beleza está em si mesma, e portanto pessoas de diferentes culturas podem captar a beleza por ela ser universal.
Segundo o yoga todos os momentos são belos, porque existe uma ordem que em si mesmo é perfeita. A beleza estará então em entender que para lá dos meus desejos existe uma ordem que propicia que as coisas acontecem de determinada forma. Portanto quando acontecem momentos que eu posso considerar menos bons, sei que eles aconteceram porque tiveram de acontecer, porque existe uma ordem por trás de todas as coisas, e assim eu posso apreciar todos os momentos com outra plenitude...

P: A beleza tem então este carácter absoluto, mas como é que a encontarmos no particular, no dia a dia... Penso então na questão da matemática, da arte... Por exemplo, a arte, do ponto de vista tecnicista da actualidade não serve para nada, mas pode servir para uma conversão interior... Pessoalmente, penso que a arte é o apogeu do humano, no sentido de reflexão, no sentido de projectar, no sentido desta fusão entre o concreto, o pequeno, e o absoluto... Poderá a beleza ser motor de mudança e de conversão interior e exterior? para nós e para os outros? com aquilo que faço, com aquilo que produzo, com a forma como me relaciono com os outros? Poderá a beleza ser motivo de?
(...)

NR: Penso que existe um perigo da beleza quando a colocamos na prateleira da arte... Pensar: “Isto tem de ser belo”, e mais nada, terminar aí a função da arte: criar beleza, pô-la à disposição das pessoas, dar-lhes um conforto... A arte que considero mais interessante não é isso. A arte tem muita coisa... Eu acredito mesmo que os artistas são belos... têm que saber de muitas coisas diferentes, olhar para as coisas de muitas maneiras...

Participante: Como artista, sou muito céptica sempre que ouço palavras como universalidade, ou absoluto. Eu penso que é muito importante expandir a mente para percepcionar a beleza e o movimento... E se pudéssemos treinar a nossa capacidade de descrever o mundo, já que ele está sempre a passar a correr à nossa frente...

P: Poderá então a beleza vir até nós?

Cristiana: Às vezes a beleza vem ter connosco sem estarmos à espera, sem fazermos nada de concreto para que isso aconteça. É uma coisa que nos transcende de algum modo...

G: Se calhar a génese da beleza está numa coisa primordial... A beleza está em determinado lugar ou está em todo o lado? Seremos nós apenas que a colocamos num lado ou noutro de forma subjectiva?

Cristiana: se calhar a arte tem também um pouco esse objectivo, dar a vêr o que já lá está, mas não está a ser percepcionado dessa forma...

P: Até agora falamos de momentos onde acontece um “click”, que nos deparamos perante uma ordem maior... E no caos também pode haver um “click”?

Mãe de M: Para mim, na matemática, o belo pode ser a procura da perfeição. Quando se atinge a perfeição e não se duvida que se a tenha atingido, isso é a beleza, mas é sempre um momento muito pequenino...

M: Portanto o caos, diria eu, é apenas uma fotografia que se nós sairmos, se a virmos de mais longe, encontramos a beleza... O caos, diria eu, é a ausência da ordem que ainda não encontrámos.

G: Nos Upanishads encontrei a palavra beleza associada a duas palavras: a primeira foi o feminino; a outra foi a verdade... Será que a beleza é a verdade em si?
(...)

P: A beleza pode ou deverá ser ponto de decisão na vida?
É muito interessante que a palavra saber adquire significados direntes consoante o contexto em que é usada, temos o verbo saber, no sentido de sabedoria e temos o verbo saber a, no sentido de sabor. “Não é o saber que sacia a alma mas o saborear as coisas eternamente”

G: Penso que aí remetes-nos também para a ideia de revelação, de clareza na mente. Penso que o que acontece é uma iluminação (esta palavra pode ser erradamente entendida), e depois acontece a sabedoria.

P: Penso que isso também pode acontecer numa relação entre 2 pessoas: à medida que me vou revelando e desvelando, que me vou despindo literalmente diante do outro e o outro vai fazendo diante de mim, há uma comunicação e um aprofundar de algo que acontece entre 2 pessoas. A beleza poderá levar-nos ao encontro com o outro?

G: O outro despido de tudo quem é senão eu próprio...

N: Por exemplo, a dinâmica entre o Miguel e a mãe à pouco tempo atrás, eu achei-a maravilhosa e ressoou em mim.. É este tipo de coisas que mais me alimentam como artista criador...

M: Uma coisa que acho importante é a predisposição que temos ou não para a beleza. Para mim a falta de predisposição, nos tempos actuais, principalmente dos alunos das partes mais técnicas, para ver a beleza em geral é assustadora.

P: Este projecto B de beleza vai operar em mim uma transformação, como indivíduo, como jesuita, como professor, como pessoa que vai estudar teologia no próximo ano... O que aconteceu aqui nestas 3 conversas é aquilo em que eu acredito na vida: um encontro entre pessoas diferentes no sentido que cada um trás a sua história, o seu conhecimento, o seu modo de ver... Penso que a verdade acontece no diálogo, acontece no encontro. A beleza leva-nos a muitas coisas, mas antes de mais, a um encontro. E se acreditarmos nesse encontro podemos crescer nas várias dimensões onde podemos crescer. Só posso dar graças, no sentido de agradecer.

Y: Se calhar podemos dizer isso então, que a beleza nos leva à união.

Participante: ...na diferença. União na diferença.