quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

1ª Viagem, a três






(estou entre as minhas iguais)

Modivas 1º dezembro, quintal da teresa s.

é tão facil regressar a casa. Ela está em todo o lado, oferece-se a todo o instante com a sua enorme generosidade. Apercebo-me que sinto a sua falta pois só a encontro verdadeiramente, ou mais prolongadamente, quando me dou a este exercício de serenidade e contemplação.
E então acontece, sem esforço nenhum, um grito ou uma gargalhada silenciosa, brota do centro do meu peito numa espiral de expansão, identificando-se com o sol e com a luz.
E torna-se claro, que não é preciso nada, nem ser, nem fazer, nem ter pois na realidade já se é, já se etá a fazer e a ter tudo aquilo de que se precisa.
Reconhecer isto com todos os poros, com todas as células e partículas do ser é reconhecer a Beleza e identificar-se com ela.
A beleza é o alimento da alma e é também a comunhão de todas as almas num júbilo de existir.
E revela-se na luz, na cor, na harmonia da sobreposição da matéria,na transparência, no processo natural, no quase, na eminência, na potência, na serenidade, na mistura harmoniosa do contraste, no todo, na igualdade da diferença, no que a seu tempo se revela, na surpresa no detalhe, na sugestão de uma oásis, no suporte ou na sustentação, no novo e no velho que se sustentam mutuamente, na diferença da semelhança, no acaso, na sugestão de um outro imaginário na realidade visivel, no contraste da verticalidade com a horizontalidade, na revelação do processo da vida, na renovação, do novo a nascer do velho e do velho a abraçar o novo, na individualidade que se integra no todo, no que se vê através, no movimento de convergência e divergência, no círculo, no que principa e acaba...

...é, uma voz que fala comigo quando sereno...

domingo, 19 de setembro de 2010

Projecto B no Centro Cultural Vila Flor


Entre 20 e 25 de Setembro o Projecto B estará no CCVF, realizando o "Atelier de Pesquisa Coreográfica Projecto B" dirigido a não profissionais do espectáculo, o Atelier de Dança Criativa "Onde se esconde a beleza?" dirigido a crianças do 1º Ciclo e será apresentado o solo criado no seu âmbito: "na terra a olhar o céu".

Fica aqui o convite!

Abraço B
Teresa

sábado, 7 de agosto de 2010

Testemunho B, Paulo Duarte

projecto b

Estima-se que a população mundial situa-se nos 6,7 mil milhões de pessoas (e nem vou para as que já existiram antes deste tempo presente). Apesar de crenças e descrenças, é difícil dizer o como exacto da criação... do espaço, da terra, dos animais, das plantas, do Universo, das pessoas... da pessoa: de mim que escrevo, de ti que lês.
Há uma vontade, em sentimento e em vivência, de buscar a essência de algo que nos caracteriza em profundidade. Afinal a terra não é morta, mas viva. Ligações, connections, diálogos, encontros... Silêncio, gritos, passos a dar e a desenvolver... em caminho, com o(s) outro(s), pelo(s) outro(s), para o(s) outro(s)!
E somos cerca de 6,7 mil milhões... Talvez nessa busca a Teresa, ou eu próprio nesse projecto que também faz parte de mim, não cruzará com cada uma destas pessoas. No entanto, avançamos em direcção à profundidade das coisas, da realidade, do que nos rodeia. Como que no desejo de que cada pessoa repare na mudança de cor que ocorre ao longo dia na rua, na avenida, na praça, no jardim, que vê todos os dias... No desejo ainda, e sobretudo, de reparar que cada pessoa é um desafio, por ser ela própria um Universo em criação, em expansão, em descoberta.
E na ligação entre o céu e a terra, poderemos maiusculizar, entre o Céu e a Terra, ganha-se o pudor e respeito, mesmo que caracterizado de old-fashioned, e assim, com humildade – que vem de húmus, terra –, seguimos em busca de algo sagrado: Beleza!
Sem grandes rodeios definitórios, apenas vivenciais... Como que o penetrar na terra fértil, ficando com o sorriso. Então, a terra somos nós, regados pela chuva, saindo aquele cheiro característico que diz: “Está pronta!”.
Pronta para dar o que recebeu...

Testemunho B, Isabel Costa

Em Abril de 2009, estava eu mais uma tarde num café com uns amigos,, bastante em baixo porque não trabalhava... não dançava... não sabia o que queria realmente fazer... Procurava o motivo para dançar... não me sentia completa... sentia que todos os dias vivia a mesma vida... Quando olho para o balcão, vejo um folheto 'Atelier Coreográfico Projecto B de Teresa Prima'... Li... Achei interessante mas guardei-o no bolso sem vontade de o fazer... andava desanimada... não queria dançar... Mas algo me disse 'Vai, não tens nada a perder'...

B! Deixei-me encantar... Descobri uma parte de mim, que nunca soube escutar... Foi maravilhoso!
'sente o teu corpo e deixa-o falar...' que incrivel a magia que tomou conta de mim... percebi onde a tristeza me afectava... percebi o quão gasto estava o meu corpo e a minha alma após 5 anos de imposição de movimento... Estava a descobrir uma liberdade! Essa sensação que sempre procurei... mas que não sabia o que era...

'E se...' 'e se...' que perguntas bonitas eram propostas... que descobertas...

Não foi só um atelier coreografico, foi um momento onde foram criaradas amizades muito fortes e um ensinamento de vida... Sensibilidade... Viver... Ser...Dançar e criar... A arte é uma forma de viver... não se pode separar... temos que ser honestos e simples... tanto na vida como na arte...
Intitulei o meu projecto final do atelier de 'Meu projecto B’... Um projecto que ainda continua em mim...

Não acredito no acaso. Tudo o que nos acontece na vida têm um propósito.
Encontrei-me com o ‘Projecto B’ por uma razão muito especial... Encontrei o motivo que me faltava... A minha vida e as minhas relações, deram uma volta...
Depois de encontrarmos o inicio do fio B, só temos que continua-lo, a ver onde nos leva...

Em 2010 sou convidada para assistente de ensaios no solo da Teresa... 'Na terra a olhar o céu'... um convite para assistir a uma viagem B...
Estar na terra a olhar o céu, é onde a dança surge... dum auscultar... Estar 'aqui' olhar para 'lá' e render-me!

“Toco-me. Sinto-me...
Transfiro-me energia...
Encontro as posições que melhor me fazem sentir e que melhor me fazem estar...
A minha energia comanda o meu corpo. Do meu toque surge a dança...
As minhas mãos carregam energia universal...
Amor...
O meu corpo dança porque as minhas mãos assim o dizem...
O chackra do coração vibra... Páro para respirar... Abro-me ao céu...
Sento-me para passar as mãos pelo meu corpo...
Estou carregada de amor...
O meu corpo dança...”

domingo, 30 de maio de 2010

B

quarta-feira, 26 de maio de 2010

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Sinopse

Sobre o Projecto B

O Projecto B, em desenvolvimento desde Janeiro de 2009, é um projecto de pesquisa, experimentação, sensibilização e criação coreográfica cuja força motriz é a procura da beleza, “lugar em comum” entre os seus intervenientes.

Propositadamente estendido no tempo, envolve ateliers, conversas e outras actividades que visam estabelecer uma relação de partilha, troca e enriquecimento mútuo.

Interessando-se, pois, pela visão, planos e estratégias que cada um pode criar para que a procura B possa ter lugar, ele será, por fim, um álbum, uma colecção dos processos, experiências e vivências de todos aqueles que, permanente ou temporariamente, dele fizeram parte.

O Projecto B não pretende definir o que é a beleza, mas gostaria de contribuir para relembrar a sua importância: relembrar e despertar são parte dos seus objectivos. Despertar para quê? Para o âmago – de mim, de ti (de nós) e de todas as coisas. Procurar, no fundo, a essência: perceber o que acontece no ser quando se procura este contacto e o que pode ser criado a partir dessa experiência.


“na terra a olhar o céu” é o primeiro de dois objectos coreográficos a serem criados no âmbito do projecto.

“A procura b tem-me levado a investir em mim de forma mais cuidada e carinhosa. Tem-me possibilitado conhecer novas pessoas e organizar novos eventos. Tem-me feito viver outras dinâmicas de relação que poderiam ser representadas
com o símbolo <------>. Tem-me deixado perceber que, apesar das diferenças, também existem semelhanças e lugares universais. Tem-me trazido diferentes encontros e tem-me revelado que cada um deles tem algo para me dar, cabendo-me a mim descobrir onde se encontra essa dádiva. Tem-me permitido dar, receber e devolver.

Sorrio com o percurso realizado.
Identifico no mapa o país b e admiro como tem vindo a criar a sua própria geografia.

Este projecto é
sobre todos aqueles que comigo
arriscaram aventurar-se
e acreditar numa ideia –
uma ideia que se calhar não serve para coisa nenhuma
mas que nos move.”


Teresa Prima


Agradeço a todos aqueles que procuraram comigo.
Dedico o Projecto B ao Sri Aurobindo e à The Mother.


@Isabel Costa

Ficha Artística

Autoria e interpretação – Teresa Prima
Colaborador artístico – António Lago
Desenho de luz – Diana Pimenta
Assistência de ensaios – Isabel Costa
Assistência de produção - Olga Almeida
Figurinos – Manuela Ferraz
Design: José Pelicano
Gestao de Projecto- PI- Produções Independentes

Agradecimentos: Paulo Duarte sj, Maria Lemos, Serafim Prima, Arte e Simplicidade, Rui
Rodrigues, Eurobotânica e a todos os convidados do Ciclo de Conversas com pessoas sentadas em círculo.

Colaborações: Adishakti Laboratory of Performing Arts, Teatro Maria Matos, D´Space

Projecto financiado por - Ministério da Cultura/ Direcção Geral da Artes (2010)

Co-Produção- Núcleo de Experimentação Coreográfica, Balleteatro, Centro Cultural Vila FlôrProjecto criado no âmbito do “Serviço Permanente”/NEC

quinta-feira, 13 de maio de 2010

13.05.2010 - Analises

I – 'A minha viagem' (1º corrido)

Estou deitada de lado... Fecho os olhos e sorrio... Dou umas gargalhadas silenciosas...
Deixo-me deitar de peito para o céu...
Fecho os olhos e respiro... Sorrio...
Olho para o lado... e abro a minha mão.
Sento-me. Levanto-me. Olho o céu e rendo-me...
Danço com os meus braços a luz que recebo...
Abro-me a ela...
Toco a minha terra...
Falamos...
Falo...
Sinto-me...
Encontro a minha terra...
Por entre montes e vales construo a minha paisagem...
Por entre montes e vales caminho...
Do topo dos montes retiro a terra e ligo-os entre si...
Abraço-a... envolvo-me...


II – 'Na minha planicie encontro o meu descanço' (2º corrido)


Estou aqui, ouço gaivotas lá ao longe...
Cantam para mim... Ouço-os treparem o tecto.
Fecho os olhos... o vento sopra forte... sorrio... toco o meu chão... sinto a sua vibração... o meu corpo deixa-se deitar...
Abro-me para o céu. Abro-me para ti...
Convido-te.. Sento-me... Olho o meu céu...
Levanto-me e rendo-me.
Dou-me... toco no meu chão... falo-lhe... fala-me... sinto-o... sente-me... amo-o... cura-me... danço...
Páro e deixo-me descançar...
O vento espalha a minha terra, transformando a minha paisagem em montes e vales...
Dos montes construo caminhos...
Dos montes construo planicies...
Dos montes construo outros montes...
Passeio... Na minha planicie encontro o meu descanço...

12.05.2010 - Analises

I – 'A energia Universal' (sequencia 4)

Estou aqui... Estou tão bem...
…
O ar entra-me para o peito e sinto-me fresca...
Respiro...
Estou em paz...
…
…
…
Entrego-me ao céu e à terra...
…
Olho para a luz, sorrio...
Ela ilumina o coração...
O meu braço move-se lentamente porque a alma assim o diz...
A minha mão torna-se uma porta energética... Ela recebe da terra e dá ao corpo.
Abro o peito para o céu... Entrego-me...
…
…
…
Ouço a terra com as minhas mãos...
Trocamos energias...
Curamo-nos...
Entrego-me à terra...
Cuido dela e ela cuida de mim...
Abraçamo-nos... Dança-mos...
Trago a mim um pouco da sua energia.
Danço tocando nos chakras...
Revitalizo-me...
O céu fala... Escuto... Rendo-me...
coronário, cardiaco, pelxo solar, oelhos, sacro


II – 'Eu, o céu, a terra' (Sequencia 3)

Deito-me de lado... A luz aquece-me... Estou tão bem... Vejo borboletas a voarem... Conecto-me com a terra. Deito-me e entrego-te o meu corpo.
Acaricio o meu chão e a minha luz. A minha mão dança e a minha alma sorri. Trago essse amor a mim. Deito-me sobre a minha terra. Abro o meu peito ao céu. Estou rendida...
Troco energias com a minha terra.
Equilibro as energias em mim...
Danço-as e o céu está lá...
Rendo-me...


III – 'Sou amor... Sou menina... Sou mulher... Sou plena' (Sequência 5)

Deito-me de lado...
…
…
Respiro...
Saboreio...
Deito-me com o peito para o céu...
hum...
olho a luz e recebo-a...
Sento-me...
Levanto-me...
Olho o céu e rendo-me...
A minha mão acaricia o meu rosto e o meu peito... Entrego amor ao céu... O céu entrega-me energia... distribuo-a pelo meu corpo... Entrego o meu corpo à terra... Sou um ponto de ligação... Sou uma fonte de energia...
Curo...
Curo-me...
Sou amor...
Sou menina...
Sou mulher...
Sou plena...

10.05.2010 - Analises

I – Rendo-me (estabelecer ligação entre terra e céu)

Chego. Respiro. Deito-me. Deixo-me estar. Viro-me para o lado e trago os joelhos para o peito. Fico. Viro-me de barriga para baixo. Fecho os olhos. Estico os meus braços ao longo do chão...
Sabe-me bem...
Arrasto-me e páro.Viro-me para o outro lado...
Inspiro e deito-me para cima.
Levanto-me ligeiramente e deito-me de barriga para baixo. Dou o meu corpo ao chão. Viro-me de lado e apoio a cabeça na mão esquerda...
Deixo-me cair para trás e no movimento encontro um embrião.
Rendo-me ao chão...
Sento-me. Observo o ceu...
Volto a deitar-me..Trago o corpo para os joelhos. Num subir, sento-me de joelhos...
Respiro e rendo-me ao chão...
Sento-me e olho o céu...
Caio, rendo-me, subo e caio...
Rendo-me, ajoelho-me sento e caio...
Rendo-me...
Olho o ceu nos meus intervalos...


II – 'De onde surge a dança...' (literalmente auscuto-me)


Toco-me. Sinto-me...
Transfiro-me energia...
Encontro as posições que melhor me fazem sentir e que melhor me fazem estar...
A minha energia comanda o meu corpo. Do meu toque surge a dança...
As minhas mãos carregam energia universal...
Amor...
O meu corpo dança porque as minhas mãos assim o dizem...
O chackra do coração vibra... Páro para respirar... Abro-me ao céu...
Sento-me para passar as mãos pelo meu corpo...
Estou carregada de amor...
O meu corpo dança...


III – 'Dou, recebo, permito' (Deitada de lado + entrego-te agora algo a ti)

Deitada a observar a luz, sorrio...
Fecho os olhos...
Aos poucos o corpo fala por si...
A luz entra pelo chacra frontal, vai para o laringeo, para o cardiaco, e daí os meus braços movem-se...
O chackras básico e coronário estão alinhados...
A minha mão é o unico contacto directo que tenho e que preciso com o mundo fisico.
Quando abro os olhos estou deitada de barriga para cima mas continuo a focar a luz...
As minhas mãos são as unicas que falam e precisam de falar...
Todo o meu corpo está alinhado...
Ajoelho-me. Encontro-me de mãos abertas para o meu Universo... o nosso...
Recolho essa energia que me alimenta. Do coração dou e para o coração recebo... Os braços falam...
O corpo começa a ganhar vontade propria.
Estou aqui... Aberta... receptiva...

07.05.2010 - Analises

I – 'Kenyoku'

Coloco-me no centro.
Abro-me ao espaço.
Dou-me ao espaço.
Danço nessa minha abertura.
Observo e dou-me a observar.
Agradeço o meu espaço.
Danço no chão que me faz sentir livre.
Espero... Sento-me... e recebo-o...
Os meus braços ficam tomados pelo coração...
Aos poucos tudo vai entrando em mim... Abro-me para ter espaço... Recolho amor...
Distribuo-o por todos os meus membros.
Dos meus sacos, solto a terra em cinco diagonais... o espaço transforma-se em montes e vales...
Cá de trás atiro cinco pedrinhas para lá...
Caminho por entre eles... uno com terra os montes... para que haja caminhos entre eles...
Sento-me nos seus intervalos... Entrego o meu corpo a esta terra-mãe... Lavo-me com ela...
Caminho de olhos fechados sobre ela... Procuro a terra para me orientar...
Fico em paz quando a encontro...

II – 'Sou mãe, amor, vida...'

Sento-me de joelhos.
Olho a luz...
Olho em frente...
Olho com amor...
Pouso as mãos no chão..
Sinto-o, olho-as, uso-as para me esticar...
Deitada em embrião sabe-me bem mover os braços à minha volta sempre em contacto com o chão.
As minhas mãos como ponto de apoio.
Volto a ajoelhar-me para meditar...
Pego num saco e decido despejar a terra toda num monte.
Pego num segundo e despejo em cima do primeiro.
Pego num terçeiro e despejo em cima do primeiro e do segundo...
Pego num quarto, num quinto, e despejo o quinto em cima do primeiro, segundo e terçeiro.
Pego no quarto e delicadamente despejo à volta do primeiro, segundo, terçeiro e quinto.
Volto a colocar os sacos no seu lugar...
Arregaço as calças, preparo-me e enfio o meu pé e perna direita mesmo no centro alto do monte. Enfio logo de seguida a esquerda, mexo os meus dedinhos dos pés e um pouco das articulações que me dão prazer no saborear deste monte de terra humida...
Aos poucos vai ficando uma cratera, que o meu corpo mole constroi...
Expando o monte para vários montes e depois para uma planicie... A minha cama... … …
Acordo. Ajoelho-me no centro e cubro-me de terra...
Eu sou uma extensão da terra...
Terra que desapareçe por entre as pernas quando as abro...
Mãe que gera...
Dadora de vida, porque é vida...

quinta-feira, 6 de maio de 2010

05.05.2010 - Analises

I – Transparência

A luz aquece o meu corpo.
Dou-lhe o meu peito...
Preencho a area de luz, e dou-lhe as minhas costas.
Gosto de a sentir no meu ventre... Na planta e nos dedos dos pés... O meu braço esquerdo...
Aponto a luz para lá... Caminho em direcção aos sacos.
A meio páro.
Rodo o meu corpo a pisar o chão com as minhas mãos.
Tiro uns cabelos colados a elas e abro-me.
Brinco com os meus ombros... quero que o meu coração comande o meu corpo...
Páro...
digo que não...
Acho que estou cansada...
O meu corpo está a precisar de se sentir vibrante e leve.
Uso a força e a repetição para ele se libertar...

Doi-me o coração...
Sinto-me desconfortável...
Choro...
Era mesmo isto...

quarta-feira, 5 de maio de 2010

12.03.2010 - Analises

Onde está a Beleza?

Deito-me em embrião.
Concentro-me na pergunta.
Vou encontrando a posição que me faz sentir confortável.
A respiração está presente para me equilibrar.
O toque em mim, envolve-me.
Espero. Paciente. Procuro. Brinco.

Impaciente.

Encontro o balde...

A luz entra... sorrio... Procuro... Brinco...
Estou tonta.
Fecho os olhos... Paro... Abro... Caio...

Na espera encontro a dança.
Olho para mim... Estou bem. Massajo-me... Aperto-me... Moldo-me... sinto-me... Espero...
Um pássaro ao longe canta.
Escuto...
Deito-me... fecho os olhos e algo vem...

Acordo. Não procuro... vejo algo.
Volto ao inicio com algo mais...
Paro...


Reúno condições para encontrar o meu estado de Beleza


Organizo o meu espaço.
Na organização encontro o estado.

Cada circulo, um nível... um passo, cada fôlego...

Gotas de água... Universo... "Eu", recebo...

terça-feira, 4 de maio de 2010

03.05.2010 - Analises

I – 'Sinto-me'

Deito-me com uma almofada de terra. Olho para cima.
Sento-me e continuo a abservar. Sorrio.
Coloco um novo saco de areia e fico melhor sentada.
Embalo-me e sorrio.
Sinto-me cada vez mais feliz.
Trago um 3º saco. Sento-me de joelhos em cima deles. Tenho que me equilibrar.
Ponho-me de pé.
Estou mais perto.
Olho para cima para baixo, para a esquerda e para a direita. Cada vez mais rápido. Cócoras... e espero por mim...
Vou para o chão... olho para os meus sacos e rasgo-os... desenho uma linha de montes de terra em diagonal.
Deito-me sobre ela e caminho... arrasto-me. Sabe-me bem o suave, o humido e o quente dela.
Pego no 3º saco e deixo a terra cair na mesma linha.
Caminho sobre ela.
É uma nuvem!
Esvaszio o 2º.
A terra é minha mãe.
Abraça-me e eu gosto de a sentir.
Dá-me paz.


II – 'Permito-me'

Caminho lentamente em direcção.
Páro, olho para cima e rendo-me.
O meu corpo sobe... Vou até lá.... tento... Não chego, fecho-me...
Ergo-me, e numa inspiração, permito-me reciclar.
Conecto-me com a terra. Ela fala-me. Ela move-me.
O som do meu corpo a deslizar no chão é a minha musica.
Dada ao meu chão, liberto-me e conecto-me com a 'Mãe'
Entrego-me ao ar... Abraço e sinto-me.
Dou e recebo.
Falo. Comunico. Respiro.

A musica entrou e violou-me...
Parou.me... Deixou de ser necessário o meu movimento.
O movimento tornou-se mais duro.
Parei porque quis encontrar-me novamente. Espero que a musica pare...
Voltei a fechar-me. Decido levantar-me, limpar-me e começar de novo.
Tápo os ouvidos. Não quero ouvir mais... A musica desaparece aos poucos...


III – 'me... a terra que nasci...'

Hum que bom...
Que bem que me sabe a luz... faz-me querer mover... quero estar a vê-la a toda a hora...
Abro o meu corpo.
Brinco e rodopio.
Olho o espelho. Quero ver mas recuo.
Encontro os meus sacos. Sei que estiveram lá o tempo todo.
Tocar-me, arranjar-me, sabe-me tão bem...
Sem querer estou a dançar, porque o meu coração dança... sinto-me bem... sei-me bem... Sinto-me saborosa.
Gosto-me. Quero sentir-me... cada vez mais...
Páro e respiro... Sorrio! Sorrio?
Movo-me... Esfregome... Páro... estou bem... estou com amor... abro os braços, abraço-me...
Eu tenho amor. Olha, olha, olha, vê!!!
Traço o meu caminho. Deixo rasto no meu caminho. Fecho os olhos e caminho...
Nasci desta terra.
O meu espaço está preenchido com terra, para que a minha presença nunca morra.
Ao meu lado está um anjo...

quarta-feira, 21 de abril de 2010

"E a Beleza, onde nos leva?" (excertos)

Conversa integrada no “Ciclo de conversas com pessoas sentadas em círculo” que fazem parte do Projecto B de Teresa Prima (T), coreógrafa e pedagoga e teve lugar a 18 Março de 2010 no NEC.

Convidados: Miguel Patrício (M), matemático e professor; Nuno Ramalho (N), artista plástico; Gustavo Cunha (G), professor de yoga.

Moderador: Paulo Duarte, sj (P)




P: Na busca do sentido da vida, qual o espaço ou lugar para a beleza?
Há beleza na matemática?

M: Há, há beleza na matemática. Para mim há estas questões: onde é que se encontra a beleza na componente técnica da vida e para que é que serve a beleza? Para mim essa beleza na matemática está no entendimento, quando as pessoas não percebem não gostam, depois de perceberem gostam, portanto penso que a beleza pode estar no entendimento.

P: E a beleza, onde é que ela anda na arte?

N: Desde que eu estudo para ser artista a beleza nunca foi uma das minhas inquietações, nunca foi uma ideia que eu me deparasse a ser explorada por outros criadores...
A beleza provavelmente vem pela arte, mas não se esgota aí, não entendo que seja o objectivo máximo da arte... claro que falando da actualidade. Há séculos atrás seria provavelmente muito fácil para um criador falar sobre a beleza ou sobre determinado aspecto da beleza. Para mim, hoje, é-me muito difícil pensar na beleza como algo fixo, mesmo dentro do campo da arte, que seria o lugar que lhe estaria reservado.

T: Interessa-me esse exercício de localizar a beleza num determinado campo... Mas quando falo de beleza no âmbito do projecto B o que para mim significa é a ideia de essência, do que está detrás, do detrás, do detrás, quando tentamos procurar isso nessa linha.

P: No fundo é um desfolhar, um destapar...

T: Sim, um viver a possibilidade de isso poder acontecer.

P: E no pensamento indiano? Sei que estudaste uns textos, os Upanishads que falavam sobre a beleza...

G: Sim, os Upanishads são dos textos mais antigos da humanidade, esses textos encaram a beleza como algo ligado à plenitude, ao equilíbrio, a algo correcto, algo que tem uma ordem por detrás, que não é caótico. Dizem que a beleza existe quando somos capazes de vêr para além da aparente beleza dos objectos; encaram o belo como essa tal ordem, o absoluto, a semente, a essência de tudo o que existe. Ao contemplar um pôr do sol, por exemplo podemos ter um momento de epifania.
Segundo esses textos, a beleza pode levar-nos a um início, a um encontro connosco próprios, leva-nos até nós mesmos. É essa a beleza que estes textos se referem, algo que já está, que sempre esteve, que vai existir depois. Portanto todo o momento é belo em si mesmo, trata-se de nós captarmos isso.

P: Podemos observar que a beleza pode ter um carácter universal... a matemática também.

M: Sim, uma das coisas que sempre me fascinou na matemática foi a sua universalidade, a possibilidade de através da matemática poder traduzir fenómenos do mundo real, em números, por haver uma ordem por detrás das coisas. E isso é reconfortante.
Quanto à ideia de epifania, eu penso que existe imenso na matemática, por exemplo quando os alunos de repente percebem algo ou relacionam com outra disciplina. Isso para mim é uma alegria enorme.

P: Na arte, por exemplo essa epifania estará na experiência, por exemplo, no momento artístico, no momento criativo?

N: Entendo que a beleza é sempre uma coisa demasiado fugidia para aquilo que eu pretendo, para a forma como vejo o mundo e as coisas à minha volta. Portanto parece-me que enquanto criador a beleza está em sentir-me agitado, em sentir-me em conflito, jogado contra as coisas, não está numa procura de que esse efeito de caos se dissipe, se torne plano...
Se temos uma ordem tão específica no mundo que nos rodeia, então eu penso que a arte, se destilarmos bem as coisas, não serve rigorosamente para nada... Então nesta sociedade onde se ensina a ser técnico, prático, assertivo, se calhar o efeito belo da arte é conseguir trabalhar no sentido contrário, é conseguir introduzir interrogações profundas, transversais, cortes, dentro de determinado entendimento das coisas.

G: Do ponto de vista da minha área, um filósofo estará preocupado com as questões: como é que é possível haver beleza?, porque é que uma pessoa considera algo belo?, o que é que criou a beleza em si e o seu oposto no indivíduo? (...)
Talvez a beleza nem me pertença, talvez eu não possa ter a pretensão de querer agarrar a beleza... Se calhar a beleza está em si mesma, e portanto pessoas de diferentes culturas podem captar a beleza por ela ser universal.
Segundo o yoga todos os momentos são belos, porque existe uma ordem que em si mesmo é perfeita. A beleza estará então em entender que para lá dos meus desejos existe uma ordem que propicia que as coisas acontecem de determinada forma. Portanto quando acontecem momentos que eu posso considerar menos bons, sei que eles aconteceram porque tiveram de acontecer, porque existe uma ordem por trás de todas as coisas, e assim eu posso apreciar todos os momentos com outra plenitude...

P: A beleza tem então este carácter absoluto, mas como é que a encontarmos no particular, no dia a dia... Penso então na questão da matemática, da arte... Por exemplo, a arte, do ponto de vista tecnicista da actualidade não serve para nada, mas pode servir para uma conversão interior... Pessoalmente, penso que a arte é o apogeu do humano, no sentido de reflexão, no sentido de projectar, no sentido desta fusão entre o concreto, o pequeno, e o absoluto... Poderá a beleza ser motor de mudança e de conversão interior e exterior? para nós e para os outros? com aquilo que faço, com aquilo que produzo, com a forma como me relaciono com os outros? Poderá a beleza ser motivo de?
(...)

NR: Penso que existe um perigo da beleza quando a colocamos na prateleira da arte... Pensar: “Isto tem de ser belo”, e mais nada, terminar aí a função da arte: criar beleza, pô-la à disposição das pessoas, dar-lhes um conforto... A arte que considero mais interessante não é isso. A arte tem muita coisa... Eu acredito mesmo que os artistas são belos... têm que saber de muitas coisas diferentes, olhar para as coisas de muitas maneiras...

Participante: Como artista, sou muito céptica sempre que ouço palavras como universalidade, ou absoluto. Eu penso que é muito importante expandir a mente para percepcionar a beleza e o movimento... E se pudéssemos treinar a nossa capacidade de descrever o mundo, já que ele está sempre a passar a correr à nossa frente...

P: Poderá então a beleza vir até nós?

Cristiana: Às vezes a beleza vem ter connosco sem estarmos à espera, sem fazermos nada de concreto para que isso aconteça. É uma coisa que nos transcende de algum modo...

G: Se calhar a génese da beleza está numa coisa primordial... A beleza está em determinado lugar ou está em todo o lado? Seremos nós apenas que a colocamos num lado ou noutro de forma subjectiva?

Cristiana: se calhar a arte tem também um pouco esse objectivo, dar a vêr o que já lá está, mas não está a ser percepcionado dessa forma...

P: Até agora falamos de momentos onde acontece um “click”, que nos deparamos perante uma ordem maior... E no caos também pode haver um “click”?

Mãe de M: Para mim, na matemática, o belo pode ser a procura da perfeição. Quando se atinge a perfeição e não se duvida que se a tenha atingido, isso é a beleza, mas é sempre um momento muito pequenino...

M: Portanto o caos, diria eu, é apenas uma fotografia que se nós sairmos, se a virmos de mais longe, encontramos a beleza... O caos, diria eu, é a ausência da ordem que ainda não encontrámos.

G: Nos Upanishads encontrei a palavra beleza associada a duas palavras: a primeira foi o feminino; a outra foi a verdade... Será que a beleza é a verdade em si?
(...)

P: A beleza pode ou deverá ser ponto de decisão na vida?
É muito interessante que a palavra saber adquire significados direntes consoante o contexto em que é usada, temos o verbo saber, no sentido de sabedoria e temos o verbo saber a, no sentido de sabor. “Não é o saber que sacia a alma mas o saborear as coisas eternamente”

G: Penso que aí remetes-nos também para a ideia de revelação, de clareza na mente. Penso que o que acontece é uma iluminação (esta palavra pode ser erradamente entendida), e depois acontece a sabedoria.

P: Penso que isso também pode acontecer numa relação entre 2 pessoas: à medida que me vou revelando e desvelando, que me vou despindo literalmente diante do outro e o outro vai fazendo diante de mim, há uma comunicação e um aprofundar de algo que acontece entre 2 pessoas. A beleza poderá levar-nos ao encontro com o outro?

G: O outro despido de tudo quem é senão eu próprio...

N: Por exemplo, a dinâmica entre o Miguel e a mãe à pouco tempo atrás, eu achei-a maravilhosa e ressoou em mim.. É este tipo de coisas que mais me alimentam como artista criador...

M: Uma coisa que acho importante é a predisposição que temos ou não para a beleza. Para mim a falta de predisposição, nos tempos actuais, principalmente dos alunos das partes mais técnicas, para ver a beleza em geral é assustadora.

P: Este projecto B de beleza vai operar em mim uma transformação, como indivíduo, como jesuita, como professor, como pessoa que vai estudar teologia no próximo ano... O que aconteceu aqui nestas 3 conversas é aquilo em que eu acredito na vida: um encontro entre pessoas diferentes no sentido que cada um trás a sua história, o seu conhecimento, o seu modo de ver... Penso que a verdade acontece no diálogo, acontece no encontro. A beleza leva-nos a muitas coisas, mas antes de mais, a um encontro. E se acreditarmos nesse encontro podemos crescer nas várias dimensões onde podemos crescer. Só posso dar graças, no sentido de agradecer.

Y: Se calhar podemos dizer isso então, que a beleza nos leva à união.

Participante: ...na diferença. União na diferença.

"A importância da Beleza" (excertos)

Conversa integrada no “Ciclo de conversas com pessoas sentadas em círculo” que fazem parte do Projecto B de Teresa Prima (T), coreógrafa e pedagoga e teve lugar a 18 Fevereiro de 2010 no NEC.

Convidados: Rui Penha (R), compositor, músico e professor; e Manuel de Souza Falcão (M), artista visual, historiador de arte e professores

Moderador: Paulo Duarte, sj (P)


Participante: Poderemos dizer que há belezas ou uma beleza?

T: Há muitas belezas porque há muitos olhares. Como estamos sempre em mudança, hoje posso encontrar beleza num sítio e amanha é outra coisa que desperta a minha curiosidade...

Participante: A beleza é uma experiância meramente subjectiva ou há qualquer coisa de colectivo? Ou seja, é algo que pode ser experientado por todos e não só por alguns?

T: Quando eu ofereço este projecto B aos outros, depois cada um direcciona a palavra beleza para onde quiser. Quando eu falo da palava beleza para mim, eu refiro-me a uma procura da essência.

P: Há espaço para o belo nos dias de hoje? ou o belo é algo elitista?, Só para os eruditos ou os artistas ou os que visitam os museus?

M: Há sempre espaço para o belo, mas na sociedade dos dias de hoje, predominantemente técnica e económica, a beleza parece estar reservada a um grupo priveligiado, um grupo priviligiado para se dar ou pensar na contemplação da beleza... A maior parte das pessoas têm que lutar por outras coisas... Mas sim, há espaço para o belo.
O belo rodeia-nos, está à nossa volta, mas a capacidade para o captar está reservada a esse grupo que tem uma matriz cultural que lhe permite vêr, captar o belo.

R: A beleza define-se por uma sensibilidade perante a beleza. Ela existe quando alguém a identifica. Pessoalmente, eu associo a beleza a uma ideia de serenidade, não necessariamente do objecto que é apresentado, mas serenidade na contemplação, na relação com esse objecto. Ou seja, não é só necessário desenvolver essa capacidade de identificar a beleza, mas também a serenidade para gostar e ter tempo de a identificar.

P: Então parece-me que hoje em dia, para encontrarmos esse espaço de beleza é preciso educarmo-nos para tal... Como professores, qual é a vossa experiência?

R: Tive hoje um exemplpo disso, porque sendo a música uma linguagem abstracta, a linguagem da musica contemporânea está muito muito distante daquilo que é o quotidiano musical da maior parte de nós. E a maioria dosalunos não tem essa intimidade com a criação contemporânea. Ainda hoje tive esse embate de estar com alunos a mostrar-lhes obras importantes do sec XX (porque, de facto, eu acredito que a forma como nós analizamos uma obra diz mais sobre nós próprios do que sobre a obra em si), mas rebebi uma enorme resistênca por parte dos alunos.
Na educação para a sensibilidade eu acho que nós devemos mostrar as obras em que realmente acreditamos, conhecemos e perante as quais somos sensíveis. Porque de outra forma é contraproducente, eu penso que temos muito mais impacto enquanto professores quando mostramos aquilo em que realmente acreditamos, porque o entusiasmo passa, assim como a resistência também passa...

M: O mais importante é preparar as pessoas como pessoas. Criando uma relação com os alunos que permita que eles se abram, podemos depois ir falando de outras coisas. É muito importante estar acessível para que as pessoas possam dialogar...

P: Sinto que a educação actualmemente é muito objectiva. Sentem que há de facto uma educação que desenvolva uma busca de uma sensibilidade?

R: Um exemplo: estava eu a folhear a “História do belo” do Umberto Eco e apercebi-me, ao ver aquelas imagens dos diferentes “adonis” ao longos dos tempos, que os exemplos são tão mais indiscutíveis quão mais antigos são, e tão mais discutíveis quão mais recentes são. Choca-me profundamente ver a imagem do Schwarzenegger como exemplo contemporâneo de adonis; qualquer ideia de beleza associada ao Schwarzenegger choca-me profundamente...
É possível estabelecer critérios à postriori, a nossa formação e o facto de estarmos inseridos todos numa detrerminada cultura permite-nos ter referências comuns para podermos dialogar... Somos facilmente capazes de identificar a beleza em períodos históricos do passado, mas em relação à criação contemporânea penso que estamos um bocadinho tréguas à nossa própria sensibilidade, à educação, às referencias que temos, a quem somos....

M: Para ir à procura da beleza é preciso fazer uma matriz, tem de haver alguns critérios para sabermos o que é que estamos à procura... Uma matriz pode ser individual e depois partilhada por um grupo...

P: Desde o modernismo, fala-se muito de autonomia, cada um cria as suas próprias regras, mas nós precisamos também de heteronomia, de nos guiarmos pelas regras dos outros... A questão que coloco é, neste processo de encontro com a beleza, como é que eu consigo articular as normas do passado (esta heteronomia, esta história) com o meu próprio processo criativo?

M: Eu penso que o ser humano não cria, o que o ser humano faz é operar com as informações que recebe através dos sentidos, a criação não é um atributo humano... O que se faz é operar com sons que se conhece, imagens que se conhece, literatura que se conhece, conceitos que se conhece; incorporamos na nossa própria personalidade e depois sai a produção.

R: O impulso criativo resulta também das referências que temos (mesmo que aconteça muitas vezes de uma forma inconsciente). Existe um lado para além da racionalidade que nos permite criar conecções e isto tira o peso da capacidade criativa...
O homem verdadeiramente rico é o homem verdadeiramente culto. Um homem verdadeiramente culto é um “self-made man”.

P: Como é que sabes quando chegou o momento do click (estalar de dedos)?

R: Pensei o que é para mim a beleza, na minha música... Estaria a mentir se dissesse que não adoro sentir o belo. É uma experiência excepcional... Como eu penso que a identificação da beleza é algo que está directamente relacionado com as referências, eu procuro misturar na música que crio diferentes tipos de beleza, com os parâmetros que trabalho: timbre, harmonia, melodia, ritmo, etc. Por exemplo, eu gosto da beleza métrica da música indiana, então estudo-a para tentar entender de onde vem essa beleza, e vou tentar icorporar isso e junto-o com outro elemento de outra referência qualquer...

M: No trabalho que faço, o que eu procuro é trabalhar bem e daí sai a possibilidade da beleza. Eu não trabalho há procura da beleza. Mas há a possibilidade de, depois de ter feito isso com amor e pensando no bem de alguém, depois disso, de surgir a beleza...

P: A possibilidade abre espaço para o outro.

M: Sim, por isso é que eu digo que passo o trabalho para o outro. O trabalho também existe em quem o frui, em quem encontra nele a hipótese de contemplação.

T: Eu penso que, para mim, o que é importante no meu trabalho é como é que tu podes criar uma experiência perante aquelas pessoas, (que seja um dar ao outro), para que aquelas pessoas se possam apropriar disso e criar algo a partir disso. Este espaço de troca para mim é até mais importante do que apenas o objecto fnal.

R: Sim, eu gosto muito dessa ideia do potencial de beleza. Vou roubá-la. E eu penso que nas artes performativas, talvez o potencial dessa ligação posssa ser maior por existir o elemento humano ao vivo... Quando uma pessoa se senta numa sala de espectáculos, senta-se com uma predisposição a estabelecer uma conecção.

Joclécio: Num espectáculo estamos sempre perante o risco porque mesmo que o que vai ser apresntado esteja já escrito e completamente definido, há sempre o risco porque algo via acontecer a seguir... É uma sensação de fragilidade... A maior parte daquilo onde eu vejo beleza encontra-se nesta fragilidade, e não nos cânones clássicos de beleza definidos por parâmetros. Para mim há um elemento muito interessante que é o o que é que vai acontecer agora, nesta fragilidade da possibilidade. Há uma característica que eu gosto muito no performer, este que dá o corpo ao manifesto, que é facto do “artista, o intrumento e a obra habitarem a mesma entidade” (filósofo alemão).

R: Penso que pode ser importante termos consciência que vamos assistir a um processo, e que se essa beleza acontecer é a cereja no cimo do bolo.
(...)

P: A experiência do impacto que a obra tem em mim, quando eu vou disponível para a receber o que ela tem para me dar. Pode provocar-me, agitar-me.

Participante: Eu acho que é tudo uma questão de disponibilidade. Se estamos dispostos ou não a vêr beleza. Se calhar ela está em toda a parte, em todo o lado ou em parte nenhuma. Estamos dispostos ou não a vê-la.

T: Sim, por isso é que eu estou interessada em trabalhar isso com o espectador. Como é que o disponibilizamos? Eu, no projecto B estou interessada na procura da possibilidade de vêr o que acontece quando eu vou neste processo. Não estou tão interessada em qual vai ser o fim; eu quero viver a viagem...

R: Se calhar o anseio em encontrá-la pode fazer com que ela fuja mais depressa. A beleza acontece quando uma série de coisas se conjugam, é um feliz acaso. Se calhar a melhor forma de predispor o público pode ser criar o contexto certo, na hora certa, dando a pré-informação certa. E depois não ficar muito desiludidos se ela não acontecer...

T: Sim, eu penso que a única coisa que podemos pensar é em dar o melhor de nós.

R: Eu se calhar tenho uma forma um bocado naif de ver as coisas, mas acho que quando a beleza acontece, toda a gente que está presente vai sentir... Portanto eu acho que o que nós temos de fazer é deixar de nos preocupar, gozar a viagem quer ela chegue ao fim quer não chegue...

António: Mas é que aqui nós estamos mesmo à procura da beleza. E como o que interessa é o meio e não o fim, eu não falho.
Eu penso que neste campo é muito mais importante o “tempo de qualidade” do que o tempo cronológico.

Joclécio: Como é que se trabalha o outro lado? Como é que se trabalha esta sensibilidade para reconhecer, como é que se chega lá do ponto de vista de quem recebe?
Há um elemento que considero importante em relação ao espectáculo vivo que é o partilharmos o mesmo espaço e o mesmo tempo, e o ter consciência de alguém que observa. Há uma dimensão muito nítida de diálogo.

T: No caso dos ateliers que dou, é isso que eu trabalho: o tornar-se disponível para algo. Para isso fazemos exercícios acerca de como esquecer o tempo, como render ao que já lá está, etc.

Participante: Que decisões podemos tomar para criar essa disponibilidade no espectador? Ou seja, o nº de pessoas no público, o local, a informação que é dada antes, o formato da apresentação, etc.

Joclécio: Há aqui outra questão para mim que é a qualidade da relação que eu penso que faz parte da própria composição. Tudo isso será determinante. Ao apresentar um espectáculo num estádio ou num contexto eu-tu, são criadas relações completamente diferentes. Penso ser importante trabalhar a possibilidade da inclusão, o que não acontece quando exite a ideia de 4a parede; esse é um olhar desinvestido. Quando investimos em abordar a questão da inclusão, há uma ideia de que estamos juntos, que vens comigo.

P: Nós hoje somos estremamente racionais, não estamos educados para o sensível (o sensível no sentido da coisa ressoar em mim, de ser tocado), para o impacto que o sensível pode causar. Por isso sinto que a importância da beleza também reside aqui, porque a beleza impacta-me. A beleza obriga-me a uma fluidez de mim própria. A beleza transcende.

Cristiana: Penso que a beleza alimenta, com pequenas e grandes manifestações, o teu dia a dia, tanto na arte, como na vida. Essa própria diversidade da beleza se manifestar também é uma coisa que eu acho muito interessante.

sábado, 20 de março de 2010

Uma reflexão solta sobre a Beleza...



“Qualquer experiência de beleza aponta para o infinito”

Hans Urs von Balthasar

Depois de três grandes “Conversas” em que mergulhei(ámos) na beleza, fico a sentir os ecos que me provocaram... Ecos que se consolidam numa palavra que me acompanha há tempos: Encontro!

O Encontro, no limite do espaço e tempo, do infinito. Traduzível no diálogo a estabelecer entre as várias dimensões de nós, humanos, ao nível exterior e interior. A beleza do encontro através do encontro com a beleza de quem está disposto a viver a reciprocidade do dar e do receber.

E, assim, deixar que a conversão aconteça, permitindo o espaço de universalidade, através da compreensão, do respeito, da integração da relação geradora de vida.

Na “conversa” (esta última) apercebi-me mais um pouco de que o entendimento é porta para a revelação.

Entender o que está para além do meu rápido ver ou escutar, o que está para além da superficialidade do momento, o que está para além do meu gosto ou desgosto desta ou daquela pessoa...

Conhecer para aprofundar um mais que se esconde no imediato, sem pensamento ou reflexão.

Depois, mais que o conhecimento, entraremos na sabedoria que conjuga a plenitude do viver. O convite ao saber viver.

A sabedoria da vida: promove a abertura ao Outro. Saio da minha casa, entro na cidade, que me aponta o pais, levando-me ao planeta e daí entro no Todo... Dá-se em mim a consciência, a revelação, o êxtase clarificador da minha pequenez que me torna grande diante do olhar Divino...

E assim sou chamado a promover a beleza do Encontro e sentir a certeza de somos criados, não para uma uniformidade, mas para uma união de corações, mais ampla que das diferenças.

Nesses passos, o Infinito descobre-se e a Beleza surge em toda a Sua plenitude, segredando continuamente: “Não temas, confia!”.



quarta-feira, 17 de março de 2010

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

2a sessão do Ciclo de conversas com pessoas sentadas em círculo

A 2a sessão do Ciclo de conversas com pessoas sentadas em círculo acontece na próxima 5a feira às 19.30 no NEC, desta vez os convidados serão: Manuel de Souza Falcão (História da Arte (FLUP) e Artista Visual, Ana Luísa Amaral (Poeta) e Rui Penha (Compositor).
A conversa será moderada por Paulo Duarte sj.

http://www.youtube.com/watch?v=cGkIsR5zH1A

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010


Como prometido transcrevo alguns excertos da 1a conversa do Ciclo de conversas com pessoas sentadas em círculo com Teresa Prima (coreógrafa e pedagoga) e Aldina Rodrigues (enfermeira e terapeuta de medicinas complementares), moderada por Paulo Duarte,sj, que teve lugar no NEC no passado dia 21 Janeiro no âmbito do Serviço Permanente e da minha residência B por lá.

A- Deixamos de treinar os sentidos em função da rapidez da realidade e da quantidade de imagens a que estamos expostos a todo o instante. A ausência de compreenderes e utilizares o teu ser como um todo mesmo para o lá dos 5 sentidos.

A- A imagem é tão rápida que perdemos a beleza das coisas.
P- Sim, a velocidade é tão grande e devido ao poder imagético está-se a perder a dimensão da contemplação.
A- De facto estamos viciados em adrenalina e fazemos coisas cada vez mais loucas e torna-se cada vez mais difícil contemplar uma coisa simples, está-se a perder a predisposição de reparar nas coisas que já lá estão, uma porta fantástica numa casa por onde sempre passamos.

T- Há cada vez menos espaço para fazer esse exercício de contemplação/observação, muito facilmente nos esquecemos de fazer isso. O PB é isso que pretende é trazer as pessoas a esse estado, olha lembras-te? No fundo é isto, relembrar, despertar.

Eu estou muito contente com o PB. Está a viver a sua vida, o seu tempo. Eu acho que me cansei de fazer coisas assim a correr e então decidi mudar a forma como vivo o tempo, na minha vida e por consequência na forma como crio. È a primeira vez que estou com um projecto por dois anos nos braços e a vivê-lo e saboreá-lo. Cada criação é algo que vem da profundidade do meu ser e convém nutrir, desfrutar desse crescimento.
No PB investigação e criação andam lado a lado. Eu não penso estar a criara nem mais nem menos quando estou no estúdio com os meus colaboradores ou a dirigir um atelier de pesquisa. A força motriz b é a ideia de procura da beleza. Mas isto sem obsessão, ou sem ânsia no que vou encontrar, interessa-me sim a atitude de me (nos) disponibilizar (mos) para ir à procura de… seja esta coisa (a b) o que for. Eu nunca com os participantes dos meus ateliers ou com os meus colaboradores me sentei com eles a definir o que é a beleza, pela sua subjectividade, quando muito converso sobre a sua importância na existência de cada um (mudando a perspectiva) e como é que a percepcionamos. Este é o género de experiências que podemos à partida partilhar.
No PB cada participante (dos ateliers ou interprete das peças coreográficas) vai criar este projecto com que ir á procura. Escolhe o onde, o como… sim o PB é um projecto de criação cujo conceito é oferecer-se aos outros, não se fechando sobre si, aspirando que os outros se apropriem e vivam algo com ele e contribuam nessa troca de experiências dentro e fora dos ateliers e se mantenham ligadas ao projecto desejavelmente o mais tempo possível. E isto está a começa a acontecer, pessoas que se vão mantendo ligadas ao projecto, a criação dos blogues onde os participantes se tornam contribuidores ajuda neste processo.

Quando é que um projecto se torna b? (cont)

A- Quando nós procuramos algo tem a ver com tentar colmatar algo que não me satisfaz, eu quero ajudar o outro mas também quero aprender e saber mais. Nós quando procuramos algo também nos queremos ajudar a nós próprios. O meu projecto A… saiu um bocadinho frustrado fruto de automatismos, do executar de funções. Nós já não queremos perder tanto tempo com o outro, essa disponibilidade está-se a perder em função de burocracias mas, quando nos podemos dar não o fazemos e pomo-nos à defesa.
Temos de nos responsabilizar por aquilo que queremos ter na nossa vida, nas medicinas complementares preocupamo-nos com essa responsabilização, daquilo que comemos, pensamos, sentimos, a escolha das pessoas com que nos rodeamos.
A grande dificuldade hoje é mudar de hábitos de vida, alguém disse que “é mais fácil um homem mudar de religião do que hábitos alimentares”. As pessoas são muito renitentes em mudar as pequenas (grandes) coisas porque elas não se querem responsabilizar. As alternativas são uma busca que me deixa fazer algo mais do que na enfermagem.
As pessoas têm de se transformar. E se eu mudasse…

T- Mas nós temos escolhas e devemos escolher o que comer, o que pensar…

A- Sim, mas nós queremos o beneficio mas não nos queremos responsabilizar porque dói pensar que: eu errei…

P- … o sofrimento faz parte da transformação e hoje não se quer arriscar com medo de sofrer e da decepção.

A- Muitas vezes nós falhamos mas devíamos pensar no nosso erro como algo construtivo, o que é que eu posso aprender com isso? Isso falta na nossa cultura e isso torna-nos muito duros connosco.

T- o erro traz nos pistas para prosseguir.

A- Ás vezes pesno: como é que serão estes jovens em adultos se nunca foram frustrados e nunca passaram por este processo de maturação.

Quando é que um projecto se torna b? (cont)

P- Isto á nossa volta está um caos é o que na generalidade sentimos, uma enorme crise sociológica mas vocês as duas estão a apresentar um projecto de esperança.
Há de facto um fundo de esperança, por isso também a questão: quando é que um projecto se torna b? Esta vontade que no fundo todos temos de avançar para um futuro melhor mas um futuro melhor concreto e vocês estão a dar-nos a noticia de que é possível. E que não é só um projecto para a tua satisfação pessoal mas que reverte na dádiva ao outro e ao desejo de construir. Hoje em dia estamos focados no concreto e a viver o apogeu da objectividade e o imediato e vocês estão a procurar o mediatizado, o processo, o caminho.

Joclécio- Depois da paragem que tu (teresa) fizeste ganhaste consciência de que o artista é também o seu próprio projecto, de vida e artístico e que estes estão ligados. E falas da ideia de um processo de aperfeiçoamento do ser, é um processo criativo, de reflexão e criação mas é uma porta que te tem levado á questão: como é que eu posso ser melhor? E que tu já referiste estar ligado á ideia de parar e contemplar e procurar beleza… como é que o projecto te ajuda a aperfeiçoar? Nós podemos conversar por conversar mas, também o podemos fazer no sentido de dar e receber, para nos informar mutuamente, por conhecer melhor o outro, por ter consciência da nossa influência (mutua). Como é que o teu processo vem sacudir as coisas formatadas que nos leva a sentir q necessidade de criar um espaço para si próprio para se aperfeiçoar e melhorar a sua performance no sentido de algo que nos preencha.

Quando é que projecto se torna b? (cont)

T- Eu deixei há uns tempos para cá de separar a Teresa nos seus diversos planos. E se eu estou a mudar a minha vida também estou a mudar o meu trabalho artístico. As coisas estão ligadas e influenciam-se por isso sim, eu quero tornar-me melhor pessoa e melhor artista portanto quero desenvolver todas as estratégias possíveis para o poder fazer e vou-o fazendo com os outros também. Tentando olhar as coisas com olhos mais inocentes e aceitando que não tenho de saber tudo.

Jo – Para haver uma mudança é preciso haver uma necessidade por parte de cada um, não nos vale muito ser salvador, não conseguimos chegar aos outro se o outro não estiver disponível. Percebo que com a estratégia dos ateliers, das conversas, deste tipo de relação, tu estás também a tocar no que é que uma pessoa pode/quer mudar, até onde está disponível? Não é possível obrigar o outro à mudança.

T- Sim com os ateliers tem sido mesmo isso, tu dás este espelho da beleza e ás vezes as pessoas conseguem perceber o que de facto não está no seu lugar.

P- Tu para ajudares os outros a fazer essa transformação, tiveram vocês próprias de passar por esse processo interior.

A- Pois porque se calhar temos de encontrar a B dentro de nós.

T- Sim, para tu poderes chegar ao outro e reconhecer e chegares a ele com delicadeza e respeito. Tu só com um pequeno sopro podes mudar algo no outro ou com um olhar em silêncio. (...) Interessa-me muito saber quem sou, mas na sua totalidade do ser e vejo a beleza como essa possibilidade de me resgatar e me levar a uma essência qualquer, e essa essência faz me ir para dentro de mim e conhecer zonas mais recônditas mas não é para ficar lá dentro é para emergir para o exterior e conseguir reconhecer isso em tudo o que em rodeia. Portanto um projecto torna-se b quando este processo começa a ter lugar. Eu acredito que este “algo” está dentro de nós e quando este começa a ser reacordado as mesmas coisas ganham uma nova cor mas o que aconteceu foi termos ganho outra consciência e forma de contacto contigo e começas a reconhecer coisas que de facto sempre estiveram lá…

P- E tu olha-las de m ângulo diferente.

T- Sim, com amor. E ligas- te a algo que não é só visível materialmente.

A- Pois ligaste-te a algo que te transcende, o amor ou energia. Nós tentamos encontrar isso e nós para depois imprimir nas pequenas coisas, pois se já o apercebemos e gostamos é isso que queremos transmitir e facilitar também o processo no outro.

Quando é que um projecto se torna b? (cont)

Joana - Começo a perceber que é preciso haver uma mudança interior para nos aproximar-nos desse conceito de beleza. Hoje vejo que talvez um caminho para procurar a beleza seja esquecer a ideia de futuro, conseguir apreciar com todos os sentidos algo que está a acontecer comigo e tirar partido do que está a acontecer aqui, e isto é para mim beleza. E isto veio de começar a conseguir lidar com a frustração.
…e deixar de querer ter respostas. È o belo do agora.

A- É só no agora que conseguimos fazer algo, não é no passado nem no futuro.

(...)

P- Se eu escuto o outro eu sei o que lhe dizer, se eu não o escuto eu posso dizer ou não dizer o que é mais adequado. Nós devíamos ser educados a lidar com as frustrações, perdas, a não ter o que queremos, isto são mortes que geram vidas. (…) Há momentos em que é preciso chorar e se calhar são os momentos mais belos das nossas vidas. Hoje queremos tão à força ser felizes que essa felicidade corre o risco de ser efémera.

"Quando é que um projecto se torna b?", excertos (cont)

A- Um dos nossos desafios hoje é (re) descobrir a beleza em tudo aquilo que fazemos. Nós conseguimos encontrar o belo em tudo se o aceitarmos.
A senhora do café ao pé de onde moro disse: sabe, adoro ver a cara das pessoas a entrarem aqui, há aquelas pessoas que entram e eu penso ai é tão bom mas a maioria está triste e agressiva, nem um bom dia e faz tanta diferença…

P- E faze-lo genuinamente.

A- Tentar ver beleza dentro do outro.

T- As coisas só não são belas se não contêm essa verdade.

A- O que é que fica no outro quando morremos? Fica os momentos belos que lhe demos. E é preciso “tirar” tempo para dar ao outro ( e a nós).

Joclécio – Há também no teu projecto esta ideia de aperfeiçoamento, uma atitude consciente para que as coisas mudem, há a possibilidade de deixarmos as coisas andar mas tembém há no fundo o que tu propões que é a ideia de intervenção, não no sentido de isto ser assim mas, e se… E se de uma outra forma? E se em vez esta forma tu esperasses um bocadinho e visses onde o teu corpo te levou o teu olhar te leva. Mas é uma atitude consciente no sentido de um aperfeiçoamento.

T- È o desenvolvimento de uma vontade (interna e autónoma). E relembrar que podemos ir praticando e performando no dia a dia, a todo o instante. Para eu ser uma boa performer em palco eu tenho de praticar estes princípios a ir á padaria de manha, a ir ter com o meu amigo. Investir numa atitude de aperfeiçoamento.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Ciclo de conversas com pessoas sentadas em círculo


Aconteceu a 1a no passado dia 21 de Janeiro no âmbito do Serviço Permanente do NEC. Integrada no projecto de criação e pesquisa "Projecto B" de Teresa Prima, teve como convidados B a própria coreógrafa e a enfermeira e terapeuta de terapias naturais Aldina Rodrigues. A conversa foi moderada por Paulo Duarte,sj sob o tema: "Quando é que um projecto se torna b?".

Excertos desta conversa serão publicados em breve.
A próxima terá lugar a 18 Fevereiro e o tema será "A importância da beleza". Os convidados b: Manuel de Souza Falcão (História da Arte (FLUP) e Artista Visual), Luís Girão (artista transdisciplinar e investigador) e Ana Luísa Amaral (poeta).

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O número ‘Phi’ que corresponde a 1,618. Uma Beleza matemática chamada 'Divina Proporção'


"Durante anos o homem procurou a beleza perfeita, a proporção ideal…
Os gregos criaram então o retângulo de ouro. Era um retângulo, no qual lado maior era dividido pelo lado menor, e a partir dessa proporção tudo era construído.
Assim eles fizeram o Parthenon... a proporção do retângulo que forma a face central e lateral.
A profundidade dividida pelo comprimento ou altura, tudo seguia uma proporção ideal de 1,618.
Os Egípcios fizeram o mesmo com as pirâmides: cada pedra era 1,618 menor do que a pedra de baixo, a de baixo era 1,618 maior que a de cima, que era 1,618 maior que a da 3ª fileira e assim por diante.
Durante milênios, a arquitetura clássica grega prevaleceu.
O retângulo de ouro era padrão, mas depois de muito tempo veio a construção gótica com formas arredondadas que não utilizavam o retângulo de ouro grego.
Em 1200 Leonardo Fibonacci, um matemático que estudava o crescimento das populações de coelhos, criou aquela que é provavelmente a mais famosa sequência matemática, a Série de Fibonacci.
A partir de 2 coelhos, Fibonacci foi contando como eles aumentavam a partir da reprodução de várias gerações, e chegou a uma sequência onde um número é igual a soma dos dois números anteriores: 1 1 2 3 5 8 13 21 34 55 89...

1

1+1=2

2+1=3

3+2=5

5+3=8

8+5=13

13+8=21

21+13=34

E assim por diante... Aí entra a 1ª "coincidência": a proporção de crescimento média da série é...1,618.
Os números variam, um pouco acima às vezes, um pouco abaixo, mas a média é 1,618, exatamente a proporção das pirâmides do Egito e do retângulo de ouro dos gregos.
Então, essa descoberta de Fibonacci abriu uma nova idéia de tal proporção que os cientistas começaram a estudar a natureza em termos matemáticos e começaram a descobrir coisas fantásticas.
-A proporção de abelhas fêmeas em comparação com abelhas machos numa colmeia é de 1,618;
-A proporção que aumenta o tamanho das espirais de um caracol é de 1,618;
-A proporção em que aumenta o diâmetro das espirais sementes de um girassol é de 1,618;
- A proporção em que se diminuem as folhas de uma árvore a medida que subimos de altura é de 1,618;

E não só na Terra encontra-se tal proporção.
Nas galáxias as estrelas se distribuem em torno de um astro principal numa espiral obedecendo a proporção de 1,618; também por isso, o número Phi ficou conhecido como A DIVINA PROPORÇÃO. Por volta de 1500, com o Renascentismo, a cultura clássica voltou à moda... Michelangelo e, principalmente, Leonardo da Vinci, colocaram esta proporção natural em suas obras. Mas Da Vinci foi ainda mais longe; ele, como cientista, pegava cadáveres para medir a proporção do seu corpo e descobriu que nenhuma outra coisa obedece tanto a DIVINA PROPORÇÃO do que o corpo humano...
Tudo, cada osso do corpo humano é regido pela Divina Proporção.
Coelhos, abelhas, caramujos, constelações, girassóis, árvores, arte e o homem; São coisas teoricamente diferentes, todas ligadas numa proporção em comum.
Encontramos ainda o número Phi nas famosas sinfonias como a 9ª de Beethoven e em outras diversas obras. Então, isso tudo seria uma coincidência? Ou seria o conceito de Unidade de todas as coisas sendo cada vez mais esclarecido para nós?"

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Mensagem 2010

Desejo a todos um ano B!
com amor,
Teresa

"... a autêntica beleza abre o coração humano à nostalgia, ao desejo profundo de conhecer, de amar, de ir para o Alto, para o Além de si. Se aceitamos que a beleza nos toque intimamente, nos fira, nos abra os olhos, então redescobrimos a alegria da visão, da capacidade de colher o sentido profundo do nosso existir, o Mistério do qual somos parte e do qual podemos aurir a plenitude, a felicidade, a paixão do compromisso quotidiano." Papa Bento XVI

sábado, 26 de dezembro de 2009

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Ne change rien

de Pedro Costa


Este documentário é cheio de doçura, é como uma carícia nos dias que correm.
As coisas emergem no silêncio da imagem e tornam-se visíveis pelo que elas são.
Há poesia na ordem das coisas e das cenas. Há poesia na montagem.
Há um tempo que sucede outro tempo sem artifícios, que só aborrece quem não o entende porque nunca o viveu.
Há o prazer apaixonado com que se vivem os papéis e com que se realiza as tarefas, com naturalidade, como quem respira e é.
A luz brinca na cena como se estivesse encantada, transformando sem tentar enganar, é a magia mesmo à frente dos meus olhos e se eu me deixei assim encantar foi por não haver outra coisa a fazer.
Deliciosamente sereno, sem pressa. Subtil, envolvente.
No momento, visionário.
Teresa P.

"...Gosto muito particularmente da ideia de acorde. Encontrar o acorde, os acordes, acordar-se nesse antigo sentido de oferecer-se, acordar-se aos outros, e acordar as coisas a nós. (...)
Na música há o uníssono, a harmonia, e, se possível a síncope (outra forma de acorde, de trégua), parece-me que nela podemos caminhar verdadeiramente lado a lado, de mãos dadas. Nela encontro uma forma de liberdade que, embora nunca deixando de ser um combate, jamais passa pelo confronto. E nela procuro, incessantemente, um abandono. Fazer música para mim, contém sempre uma maravilhosa promessa de abandono. Talvez como a criança que levada pelo amor, por um olhar, por uma atenção (o ritmo, a melodia, a harmonia)abandona os braços da mãe para caminhar sozinha no vasto mundo, com o espírito livre e o corpo liberto. (...)"
Jeanne Balibar

sábado, 28 de novembro de 2009

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Evolução, Beleza e Liberdade

"O filósofo espírita francês Léon Denis, um dos consolidadores da obra de Kardec, afirma que quanto mais se purifica, aperfeiçoa e eleva a inteligência, mais se impregna com a ideia do Belo. Portanto, o objectivo essencial da evolução será a procura e a conquista da Beleza, a fim do ser humano a concretizar nele próprio e nas suas obras. Esta é a regra da alma na sua infinita ascensão."

"Liberdade é o teu estado natural, tal como foste criado, na tua verdadeira origem, que não depende dos outros, nem de nada que te rodeia. Ela não se explica, sente-se, experiencia-se e conhece-se, por dentro. É o estado em que tu vives quando não te sentes limitado por nenhum conceito, ideia, valor, memória, padrão ou emoção! Só és capaz de lembrar o Amor. Daí vem todo o teu Poder e Segurança, o sentido ilimitado de realização e felicidade!"
in Entre o medo e a liberdade de Isabel Ferreira

Improviso em schweigen (silêncio)

Estou a iniciar um projecto a solo que para já intitulo de 'projecto S' de silêncio.

Ultimamente tenho encontrado muita beleza no silêncio... so saber respirar e estar no silêncio... mesmo estando no meio de ruido eu posso encontrar silêncio!
Está a saber muito bem esta descoberta!

Tenho comigo uma pessoa que me acompanha no projecto B desde o inicio e que de certa forma já se tornou um mini projecto B, ele proprio.

Está a ser incrivel esta partilha entre ambos... Liberdade e Beleza! Uma mistura que me parece muito bem!

Noutro dia surgiu esta performance... Improviso em schweigen (silêncio).
Ele improvisava ao som de deaf center, com um mp3 nos ouvidos.. o publico via a performance em silencio.. a verdade é que daqui novos movimentos surgem... o corpo liberta-se de regras e acontece. Malabarismo ou movimento? A Beleza transforma os caminhos...


improviso em schweigen from uminutu on Vimeo.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Últimas notícias PB

De hoje até 13 de Novembro estou a realizar um Atelier de Pesquisa Coreográfica Projecto B com o 11º Ano de Dança do Ballet Teatro.
Acompanhem a viagem aqui:

http://projectobparticipantes.blogspot.com

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Depois do de muito tempo ausente do blog B... finalmente recolhi algum material para poder partilhar...

tenho andado sempre com o meu bloco de notas e a minha camera...

Tenho muitos textos escritos... Espero vir a coloca-los no blog... e os videos que se seguem são alguns excertos da imensidão de coisas belas que encontrei...

Dois videos que recolhi na altura em que estava em pesquisa relativamente á apresentação final do atelier... Ao qual eu chamei 'Meu projecto B'.

Pequenas belezas... fruto também dessa pesquisa...

Regozijos e confabulações... algo dançado como forma de reciclar varios enlatados em mim... Gostei da beleza que encontrei nos movimentos e na pós-sensação de mim...

Sopro... Um video que fiz na minha curta estadia em Gent - Bélgica. Uma semana de muita dança e beleza no caminho de mim mesma...



Esboço 'Meu projecto B' - I




Esboço 'Meu projecto B' - II




Pequenas Belezas




Regozijos e Confabulações - Parte I




Sopro

sábado, 29 de agosto de 2009

Convite

Amigos B,

Estão convidados para um piquenique no Parque da Cidade no dia 4 (sábado). Confirmem a vossa presença para que eu vos diga a hora e local de encontro =) Tragam a vossa toalha e lanche.

Beijinhos,
Filipe

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Despertar para a Beleza

Despertar para a Beleza não significa encontrá-la em alguma parte.
Despertar para a Beleza é despertar para um estado interior de silêncio, escuta, aceitação e alegria, a partir de onde se cria um espaço e um tempo para a Beleza se manifestar (e transbordar de dentro para fora).
Encontro-me com o outro.
Ofereço de mim e recebo de ti.
Deixo que os nossos estados se fundam e se engrandeçam um ao outro.
Sou o silêncio onde ressoa o teu som.
A partir daqui construímos um diálogo.
Quem somos, onde estamos, para onde vamos?

sexta-feira, 31 de julho de 2009

how to recognize/produce B

How to recognize B:

- To see that everything around us, in its pure form, is energy, and that this energy is the Infinite Energy, the Beauteous Light which manifests itself in all things - be they living, inanimate, or even abstract (thoughts, ideas, feelings). To be able to recognize all that we see, and all that we don’t, as manifestations of the One Force; and that every atom of our entire Universe is the Infinite - and the Infinite is nothing but Beauty in its purest form. To recognize this is to recognize beauty.

- To understand/believe that ‘the other’ is always a potential carrier of Beauty. To constantly acknowledge ‘the other’ as a receiver of Beauty as well.

Thus, all meetings, all connects, will be manifestations and/or collisions of this selfsame Beauty!

- To look upon your heart as a mirror, reflecting/becoming all that you find most beautiful around you. To see/experience something which moves you thoroughly, which is breath-taking, (a landscape, for instance) and to be able to find it reflected within, and to say ‘that is me’. To want to be a reflection of Beauty, and to want Beauty to be a reflection of you.

How to produce B:

- Try to place your sense of ‘self’, your being, your identity, possibly even your ‘face’ (self-image) - in your heart centre.

Breathe from there.

Give and receive from there.

- To be conscious always, that the energy you give out should be love energy. Universally, not selectively. To practise this with rigour.

- To ‘give’, or at least to want to ‘give’. Not just materially, but to give out energy, to consciously give a piece of your self, a real inner part to ‘the other’, or at least towards your loved ones. To be interested in their well-being, to want to heal, to please, to make calm, to make beautiful, to support. To be conscious of this constant transmission, to invest in it, especially through touch.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

"IT"

LINDO!

"IT"

http://www.youtube.com/watch?v=rgIwo4owAlM

http://www.youtube.com/watch?v=z46OPoQF7Wk

UNLIMITED

http://www.youtube.com/watch?v=z1VQ50mhcNI

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Outra vertente do Projecto B

http://ondeseescondeabeleza.blogspot.com/

espreitem!!!

domingo, 12 de julho de 2009

Como reconhecer a beleza? Como produzir beleza?

Entendo a beleza como uma experiência com base numa relação de um sujeito consigo próprio ou com uma entidade exterior (outra pessoa, um objecto, uma situação, etc.). Por isso, mais importante do que as características inerentes a essa realidade é a relação que com ela estabeleço.
A beleza, enquanto manifestação que acontece no universo em qualquer momento pode ser reconhecida ou identificada. O trabalho para que isso aconteça está pois em acordar ou manter acordada essa disponibilidade para que a experiência da beleza aconteça em nós: deixar que a beleza chegue até mim (pela minha percepção); e deixar que a beleza aconteça através das minhas acções e do meu corpo.

Tento identificar parâmetros que estão presentes no vivenciar da experiência da beleza:
-verdade
-carácter do que é autêntico
-clareza
-paz
-sublime
-prazer estético ou experiencial
-processo transformador do tempo
-fluxo
-relação
-espírito
-disponibilidade
-presença
-carácter do que é único
-riqueza, diversidade
-...
Serão estes parâmetros universais? ou, por outro lado, pessoais, culturais, geográficos, temporais?
Ainda que parte destes parâmetros sejam situacionais ou contextuais, acredito que há valores universais e atemporais comuns a todas as pessoas que, digamos, vão para além das formulações específicas culturais.
Admiro-me ou fascino-me com o facto da beleza, apesar de ter sido e ser ainda entendida de tantas formas diferentes, ser uma constante presente em todos os povos, desde os tempos mais remotos de que se tem conhecimento. Se a sua existência é assim tão vasta e a sua presença universal, onde reside a sua importância? De onde vem este impulso tão humano de procurar e criar beleza? (há exemplos tão antigos desde o embelezamento de objectos de uso ao reconhecimento de beleza na natureza e tentativas de a reproduzir, etc)
Por um lado penso que a experiência da beleza trás a quem a experiencia um conjunto de sensações ligadas ao prazer, ao deslumbre, ao sublime e a uma ligação muito especial consigo próprio e conectada com o mundo. Penso que é este facto o que é comum à experiência da beleza, independentemente do tipo de relação e das características do objecto.

terça-feira, 23 de junho de 2009

boa noite

pessoas bonitas!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Projecto B para Pointe to Point

Projecto B para PTP:

Às vezes penso no trabalho como uma espécie de entidade sempre presente que se vai transformando e evoluindo comigo e com aquilo que vivo.

Creio que há uma característica que atravessa grande parte do trabalho coreográfico que desenvolvi que se prende com uma curiosidade sobre o outro associada a um desejo de aproximação.

Esta curiosidade não tem nada de alcoviteiro, ela nasceu do desejo de querer saber mais sobre quem era o outro que se “escondia” no escuro da plateia, quais eram as suas motivações e expectativas ao virem ver o meu trabalho.

O outro passou então de testemunha a elemento de trabalho e gradualmente fui estreitando esta relação. A primeira coisa que fiz foi retirá-lo do escuro, a segunda provavelmente foi começar a endereçar-lhe as coisas directamente.

Consigo perceber que associado ao desejo de conhecimento do outro existe também o desejo de auto conhecimento e entendimento da natureza humana.

Entre 2007/08 vivi e estudei na Índia dança, yoga e artes marciais. A Índia atirou me para um rodopio dos sentidos com os seus cheiros, sabores, cores, paisagens e sons. A arquitectura dos templos, a geometria da dança, os ritmos da música. A relação do humano com o divino. A expressão de cada rosto. Fui muitas vezes arrebatada pelo contacto com a Beleza, presente em diversas coisas, pessoas e situações.

E esta relação e interesse pela Beleza começou a tornar-se cada vez mais notória (evidente) e regressou comigo a Portugal e tornou-se a temática do meu actual Projecto.

Em Janeiro do presente ano criei um exercício coreográfico para 11 alunos da EPD do BT. Foi aqui que entendi que era no acto de procurar a beleza, no que gerava esta intenção que residia o interesse e a potencialidade.

O coreógrafo Joclécio Azevedo escreveu-me o seguinte depois da apresentação pública que realizamos: “Estar à procura de algo que mal se sabe definir, mas cuja presença é pressentida e denunciada, foi o que me comoveu no teu projecto, sobretudo pelo facto de ser uma procura conjunta e partilhada entre performers e espectadores.”

Apelidei este projecto de Projecto B.

Entre Março e Abril conduzi um Atelier de Pesquisa Coreográfica – Projecto B no NEC á volta da ideia de procura da beleza. A primeira fase orientada por mim funciona como um input de modo a que na segunda fase o participante crie o seu Projecto B ou seja o seu projecto de procura de beleza. Para isso ele deve ser capaz de identificar o território da sua procura, criar a metodologia adequada, realizar o percurso, documentá-lo e encontrar uma forma de apresentação daquilo que descobriu.

Foi muito interessante acompanhar estes processos que me fizeram perceber que o outro e o projecto do outro fazem parte da beleza que procuro.

Entretanto o Projecto B estabeleceu-se como conceito e deseja experimentar-se sobre várias vertentes: a criação coreográfica, a investigação, a documentação e a sensibilização para a temática.

E como este é actualmente o território onde me movo, decidi criar um Projecto B para o Pointe to Point.

A primeira questão que surgiu foi: como relacionar a procura da beleza com o PTP a quase dois meses deste ter lugar, quando não sei nada sobre o que irá ser o evento ou os seus intervenientes? Depois pensando melhor achei que se calhar poderia ser por aí “e se a beleza estivesse nesse espaço potencial que poderia ser preenchido pelo meu imaginário?”.
Esta era um momento particular em que ainda era possível o exercício de imaginar tudo: o evento, os participantes, o que poderia acontecer.

Este foi o ponto de partida o meu Projecto b para o Pointe to Point.

Passo um – território da procura identificado.
Passo dois – qual a metodologia a seguir?

Nesta altura frequentei o Atelier de Composição “Entre um e outro” dirigido pelo coreógrafo Joclécio Azevedo, o trabalho desenvolveu-se á volta da ideia do espaço que separa um corpo do outro, do entendimento das suas características e possibilidades. Resolvi inserir este contexto como parte da metodologia para desenvolver o meu Projecto B.

Actualização das minhas perguntas B:

- E se a beleza estiver neste espaço potencial?
- E se o meu corpo encontrar beleza ao habitar este espaço e ao relacionar-se com ele?
- E se o meu corpo encontrar beleza nas transformações provocadas pelo habitar deste espaço?

Metodologia B:

1 – Desenvolver o Projecto B para o PTP aplicando alguns dos parâmetros sugeridos no Atelier “Entre um e outro”, nomeadamente organizar todo os elementos do Projecto a partir da definição do espaço.

2 – Materialização da ideia – apresentar individualmente a ideia subjacente ao Projecto B para o Pointe to Point a 7 pessoas ligadas ás artes ou não.
- Convidá-las via telefone ou email explicado-lhes previamente o contexto e conteúdo do presente Projecto.
- Agendar um encontro numa data e local a definir pela pessoa, este lugar pode ser um espaço público ou privado, ao ar livre ou interior.
- Encontro com a pessoa no local e horário agendado. Pedir a esta que durante dez minutos observe o que acontece no meu corpo.

Linha da acção da Teresa:

A – Activação do espaço da imaginação relacionando-o com o futuro Pointe to Point durante sete minutos.
B – Deixar o corpo físico relacionar-se com esse espaço.
C – O que acontece no corpo físico como resultado do contacto com esse espaço?

3 – Documentação e apresentação

- Fazer um registo aúdio da observação da pessoa.
- Publicar no blogue do Projecto B as respectivas experiências assim como de todo o Projecto B para o Pointe to Point.
- Criação de um vídeo que possa servir de suporte de apresentação deste projecto B.
- Apresentação in locco das conclusões.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

My side of the story - Fatinha e Patrícia

5th time I performed to Fatinha and Patricia Almeida on a courtyard which had this funny black paths on the floor that brought me images of rivers and maps and veins. It was the only time I performed for two persons at the same time in the Project (it was convenient for them). Activated the space related to the Project and I felt that this space was trying to say something but I couldn’t understand the meaning. But they saw choices and inner things.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

My side of the story - Filipe

4th time I performed to Filipe Gomes in Cordoaria`s park at the sun set. I was there with all of you, feeling the sun on my skin and saying welcome! You were there, you were real, as real as the statues and the soil and the grass and the transients. This closeness brought me a confident feeling so I just stay there enjoying, exchanging, allowing.

sábado, 6 de junho de 2009

My side of the story - Micaela

3rd time I performed "Project B to Pointe to Point" to Micaela Maia at her white and empty living room with a single lamp on the wall. I felt I was alone in a capsule going in to a calm and silent trip inside myself. I just wanted to stay there feeling the space inside and outside myself, a bubble of air and perfume of nothingness.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

My side of story - António

2nd time I performed "Project B to Pointe to Point" to Antonio Lago at his house in front of a wood screen with the word PITCH written on it.
It was a complete different feeling from the one before, I enter the space associated with the Project and I began to see the space where I was in fact through the vision of that space (the one related with the Project) and then I began to laugh a lot and started to feel like if I was upside down in a different reality but this reality was my own creation.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

My side of the story

I performed Project B to Pointe to Point to 6 persons making them collaborators of this special project.
It was not easy to arrive at the point where the idea became simple and clear as you’ll see in a few days, but it was worth it! I am happy I did this Project!
And beauty’s on the road!

1st time I performed to Conceição on a small garden on the backyards of some urban buildings. It was not easy to activate the space which is related to the Project. But the try out made me go somewhere else, a zone of acceptance and recognition of the moment, and I was relating with something yes, a space inside which draws things on the outer side, through the body.
And then when I listen to what the person saw I realize that I gave something to her and that she did exactly the same for me. It was like being in front of a new mirror.